terça-feira, 4 de outubro de 2011

Dom Celli e a era digital da Igreja

A Igreja tem de falar a linguagem do homem moderno, se quer ser entendida. Esta foi uma das mensagens que o Presidente do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, Dom Claudio Maria Celli deixou no último sábado nas Jornadas da Comunicação Social, em Fátima, no seu discurso sobre a “Era Digital e comunicação na Igreja Católica”. “A Igreja deve dialogar com esta cultura digital originada pelas novas tecnologias. Necessitamos fazer este diálogo, porque é o diálogo com o homem de hoje, cuja vida está marcada, transformada por estas tecnologias. Tenho de falar uma linguagem que o homem e a mulher de hoje entendam. Uma coisa é falar com uma criança de 10 anos, outra é falar com um homem de 40 ou com um homem de 60, são momentos distintos da vida, e a minha linguagem deve sintonizar-se com a experiência humana, com as exigências, os desejos, os sofrimentos, as alegrias de cada momento da vida. Esta é uma das grandes tarefas da Igreja”, afirmou.

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O presidente Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais disse ainda, que o tema escolhido pelo Papa para o próximo Dia Mundial das Comunicações é “Silêncio e Palavra: caminho de evangelização”. Dom Claudio Maria Celli explicou que Bento XVI e a Igreja se preocupam com o lado “humano” e não apenas tecnológico da nova “cultura digital”. Daí que o Papa quer alertar, desta vez, para a importância do silêncio que o Homem moderno tanto receia, mas que é fundamental para a própria comunicação que hoje tem demasiado “ruído”.

“O Santo Padre quer convidar-nos a compreender que a comunicação deve ter sempre uma dimensão humana. O Papa pede que a comunicação, com ou sem tecnologia, seja uma comunicação profundamente humana e é indiscutível que se exija um silêncio”, afirmou. Dom Claudio Maria Celli acrescenta que “hoje em dia as pessoas têm medo do silêncio porque é um silêncio vazio e não é disto que o Papa quer falar. Quer falar de um coração do homem e mulher que procuram o silêncio para se encontrarem a si mesmos, para se conhecerem a si mesmos, mas, ao mesmo tempo, para ter uma dimensão de abertura face ao outro, para que o outro possa entrar no meu coração e eu o possa conhecer mais profundamente”.

Fonte: CNBB

sábado, 1 de outubro de 2011

Era digital representa «um desafio teológico»


Fátima, Santarém, 30 set 2011 (Ecclesia) – O presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais lembrou hoje, em Fátima, que a era digital representa para a Igreja Católica “não apenas um desafio antropológico mas teológico”.
No meio de um mundo marcado pela “normalização da mudança”, favorecida pela evolução tecnológica, continua a existir uma “humanidade feita à imagem e semelhança de Deus”, com a qual se deve “comunicar com verdade”, disse D. Manuel Clemente, no encerramento das Jornadas Nacionais das Comunicações Sociais.
A iniciativa, organizada pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, decorreu entre quinta e sexta-feira na Casa de Nossa Senhora das Dores, subordinada ao tema “Era digital: Revolução na cultura e na sociedade”.
Mais de uma centena de profissionais ligados à comunicação social religiosa debateram formas da Igreja Católica acompanhar a “revolução digital”, aproveitar as potencialidades da Internet, marcar presença nas redes sociais, sem perder de vista a sua “identidade humana” e o caráter “face a face” que sempre privilegiou.
O último dia do encontro, este ano com direito a transmissão online através de uma parceria com o portal Sapo, foi precisamente dedicado ao painel “Era digital e comunicação na Igreja Católica”.
Segundo o presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, que marcou presença nas jornadas, “não há um modelo a seguir” mas sim a convicção de que a era digital “é uma oportunidade imensa de chegar a mais pessoas”, que deve ser aproveitada “com entusiasmo”.
Para D. Cláudio Maria Celli, “pode haver vários aspetos a corrigir”, no caminho que a Igreja tem percorrido nesta área, “mas se houver esta vontade em partilhar a fé com os outros, a meta será atingida”.
A forma e o conteúdo da mensagem a transmitir também foram objetos de debate, com o representante do Vaticano a apelar à urgência de “não se transformar a comunicação religiosa numa catequese pouco cativante”.
Uma ideia acompanhada por José Luís Ramos Pinheiro, administrador do Grupo Renascença, para quem a “qualidade” deve ser a referência a seguir, enquanto “agregadora de confiança junto de crentes e não crentes”.
“O grande desafio, para qualquer instituição nesta área dos media, é estabelecer um compromisso com as pessoas, estruturar ideias, saber ouvir, e para a Igreja Católica não é diferente”, acrescentou Abílio Martins, responsável pelo portal Sapo.
O tema das Jornadas Nacionais de Comunicação Social deste ano inspirou-se na mensagem de Bento XVI para o 45.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, na qual o Papa aborda a “profunda transformação operada no campo das comunicações”.
Em 2012, conforme revelou D. Cláudio Maria Celli durante a sua presença em Portugal, a Santa Sé pretende refletir sobre o “silêncio e a palavra: caminho de evangelização”.
Fonte: Agenda Eclesia

"Uma religião da Palavra de Deus, não do livro", diz biblista




Na exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini, o Papa Bento XVI salienta que “o cristianismo não é a religião do livro”
“O cristianismo não é a religião do livro”, afirma Bento XVI na exortação apostólica pós-sinodal  Verbum Domini, publicada em 30 de setembro de 2010, dia de São Jerônimo. O que o Santo Padre quis dizer com uma frase tão forte e ao mesmo tempo tão desafiadora?

O biblista italiano que participou do Sínodo dos bispos sobre a Palavra de Deus em 2008, padre Giorgio Zevini, responde a este questionamento detalhando o que o Santo Padre considera a essência da relação entre Igreja e Sagrada Escritura.

“O cristianismo é a religião da Palavra de Deus, e não do livro, não de uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivente. No início do cristianismo não existia uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá vida e horizonte e, com isto, a direção decisiva”, explicou.

“Ler além do que está escrito”

A difusão de uma doutrina fundamentalista que diz basear-se na Sagrada Escritura sempre preocupou a Igreja Católica. O Papa Bento XVI durante o discurso proferido aos luteranos, na sua ultima viagem apostólica internacional à Alemanha chegou a afirmar: “Trata-se de um cristianismo de escassa densidade institucional, com pouca bagagem racional, sendo ainda menor a bagagem dogmática, e também com pouca estabilidade”. (Discurso de Bento XVI aos membros da Igreja Evangélica Alemã, 23 de setembro de 2011). O biblista também fez referências ao que o Pontífice considera uma verdadeira hermenêutica da fé, ou seja, a interpretação da fé.
“O papa, falando da interpretação da Sagrada escritura insistiu muito sobre a exegese teológica, que valoriza não somente o sentido literal do texto, mas também o sentido espiritual, através do Espírito Santo, o verdadeiro exegeta das Sagradas Escrituras. È decisivo colher a passagem entre letra e espírito, sublinhando uma unidade interna de toda a Escritura, para uma correta hermenêutica da fé”, salientou.

Anunciar a Palavra: missão de todos

A missão da Igreja Católica é anunciar a Palavra de Deus. Não existe um “grupo restrito de anunciadores”, mas aquilo que é tarefa dos bispos, padres e diáconos é também tarefa de cada cristão. Padre Zevini fala como na terceira parte do documento chamado de Verbum Ecclesia, o Pontífice traz orientações precisas sobre a evangelização.

“A palavra de Deus envolve todos os cristãos: todos somos servos e anunciadores da Palavra. Não somos só destinatários da revelação divina, mas também portadores aos outros da Palavra de Salvação, já que esta é para todos. Naturalmente isto exige que nos deixemos envolver pessoalmente pela Palavra de Deus, conhecendo-a e fazendo-a germinar dentro de nós sob a direção do Espirito Santo”, disse.

Fonte: Canção Nova

Nulidade matrimonial será de responsabilidade da Rota Romana




Papa Bento XVI com a Cúria Romana, dezembro de 2010
Foi publicada nesta terça-feira, 27, a Carta Apostólica de Bento XVI, em formato de Motu Proprio, intitulada "Quaerit semper". O documento transfere a competência da causa para a dispensa de um matrimônio ratificado e não consumado (entre eles, casos de nulidade matrimonial) e uma declaração de nulidade da sagrada ordenação para o Tribunal da Rota Romana. Até então esses casos eram analisados pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

Na carta, o Pontífice explica os motivos desta mudança dizendo que "a Santa Sé sempre buscou adequar a própria estrutura de governo às necessidades pastorais que em cada período histórico emergiram na vida da Igreja, modificando, assim, a organização e a competência dos dicastérios da Cúria Romana”.

Nas presentes circunstâncias, o Papa considerou conveniente que a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos se dedicasse principalmente a dar um novo impulso às promoções da Sagrada Liturgia na Igreja, seguindo o renovamento proposto pelo Concílio Vaticano II, a partir da Constituição Sacrosanctum Concilium.

“Portanto, pareceu-me conveniente transferir para um novo escritório constituído junto ao Tribunal Rota Romana, as competências para tratar os procedimentos para a concessão da dispensa de um matrimônio ratificado e não consumado e as causas de nulidade da sagrada ordenação", disse o Santo Padre na carta.

Segundo o decano da Rota Romana, monsenhor Antoni Stankiewicz, com a publicação deste Motu Proprio se realiza uma inovação normativa histórica no âmbito da Cúria Romana. 

Fonte: Canção Nova

Só Deus dá sentido à vida e futuro ao homem, diz Bento XVI




Papa chega à Praça de São Pedro para a Catequese
O Papa Bento XVI aproveitou a Catequese desta quarta-feira, 28, para fazer um resumo das "intensas e estupendas jornadas transcorridas" durante a Visita Pastoral à Alemanha, realizada entre quinta-feira, 22, e domingo, 25.

"Esses momentos foram um precioso presente que nos fizeram perceber novamente como é Deus quem dá à nossa vida o sentido mais profundo, a verdadeira plenitude, antes, que somente Ele dá a nós, dá a todos um futuro", destacou.
O Pontífice disse que a visita, com o 
tema "Onde há Deus, há futuro", foi uma grande festa de fé e oportunidade para se encontrar com as pessoas e falar de Deus, de rezar juntos e confirmar os irmãos e as irmãs na fé.

"Esta Viagem Apostólica à Alemanha ofereceu-me uma ocasião propícia para encontrar os fiéis da minha pátria alemã, para confirmá-los na fé, na esperança e no amor, e compartilhar com eles a alegria de serem católicos. Mas a minha mensagem era destinada a todo o povo alemão, para convidas a todos a olhar o futuro com confiança. É verdade, 'Onde há Deus, há futuro'. Agradeço, mais uma vez, a todos aqueles que tornaram possível esta Visita e a quantos me acompanharam com a oração. O Senhor abençoe o Povo de Deus na Alemanha e abençoe a todos vós". 

Bento XVI recordou todas as etapas de seu percurso em território germânico, destacando o ineditismo da ocasião em que pôde 
falar aos membros do Bundestag (Parlamento Federal) - "quis expor o fundamento do direito e do livre Estado de direito, isto é, a medida de todo o direito, inscrito pelo Criador no ser mesmo da sua criação" - e das oportunidades de encontro com judeus - "recordando as nossas comuns raízes na fé no Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, evidenciamos os frutos obtidos até agora no diálogo entre a Igreja Católica e o Judaísmo na Alemanha" -, muçulmanos - "concordando com eles acerca da importância da liberdade religiosa para um desenvolvimento pacífico da humanidade" - , bem como, especialmente, com  luteranos e católicos.

"Vimos novamente o quanto seja importante o nosso comum testemunho da fé em Jesus Cristo no mundo de hoje, que frequentemente ignora a Deus ou não se interessa por Ele. É necessário o nosso esforço comum no caminho rumo a uma plena unidade, mas sempre somos bem conscientes de que não podemos 'fazer' seja a fé, seja a unidade tão desejada. Uma fé criada por nós mesmos não tem nenhum valor, e a verdadeira unidade é, mais do que tudo, um dom do Senhor, o qual rezou e reza sempre pela unidade dos seus discípulos. Somente Cristo pode dar-nos essa unidade, e seremos sempre mais unidos na medida em que voltarmos a Ele e nos deixamos transformar por Ele", disse, sobre o 
encontro com os membros do Conselho da Igreja Evangélica na Alemanha e oato ecumênico no ex-Convento dos Agostinianos.

Além de abordar todos os outros compromissos, o Papa falou especialmente sobre sua alegria com a 
Vigília de oração com milhares de jovens, em Friburgo. "Fiquei feliz ao ver que a fé na minha pátria alemã tem um rosto jovem, que é viva e tem um futuro. No sugestivo rito da luz, transmiti aos jovens a chama do círio pascal [...]. Repeti a eles que o Papa confia na colaboração ativa dos jovens: com a graça de Cristo, são capazes de levar ao mundo o fogo do amor de Deus".


A audiência

O encontro do Santo Padre com cerca de 20 mil fiéis reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano, aconteceu às 10h30 (horário de Roma - 5h30 no horário de Brasília). Como o Papa continua em período de descanso em Castel Gandolfo, que fica a 30 quilômetros de Roma, o trajeto entre as duas cidades foi feito de helicóptero e, ao término da Catequese, o Pontífice retornou para a cidade do interior da Itália.

Na saudação aos fiéis de língua portuguesa, o Papa salientou:

"Amados peregrinos de língua portuguesa, cordiais saudações para todos vós, de modo especial para os fiéis de Piracicaba e Belo Horizonte, de Bauru e Apucarana: convido-vos a olhar com confiança o vosso futuro em Deus. Com a graça de Cristo, sois capazes de levar ao mundo o fogo do amor de Deus. Sobre vós e vossas famílias desça a minha Bênção".

Fonte: Canção Nova