domingo, 16 de outubro de 2011

As Exigências do Ecumenismo

Entrevista com o Secretário do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos

ROMA, domingo, 16 de outubro de 2011 – A oração de Cristo na Última Ceia mostra que Ele quer sua Igreja unida. O ecumenismo é a forma prática de descobrir "como entender este desejo de Cristo". Esta é a reflexão de Dom Brian Farrell, secretário do Pontifício Conselho para a promoção da Unidade dos Cristãos.

Farrell, 67, falou ao programa de televisão Deus chora na Terra, da Catholic Radio and Television Network (CRTN), em colaboração com Ajuda à Igreja Necessitada.

- O senhor trabalha como secretário do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos. A unidade é um tema familiar para o senhor?

Dom Farrell: Eu diria que sim. Cresci com amigos anglicanos e metodistas, muito queridos, e sempre estive interessado nas razões de eles não entrarem na minha igreja nem eu nas deles, e por que elas eram diferentes. Mas era um interesse infantil. Quando voltei a Roma, depois de vários anos de atividade como jovem sacerdote, eu tive que escolher um tema para a minha tese doutoral, e foi nessa área. Apresentei uma tese na Universidade Gregoriana, que, antes terminar, em certo sentido já tinha virado um livro morto, porque naquela época eu comecei a trabalhar na Secretaria de Estado, num mundo totalmente diferente, e fiquei quase até o final do pontificado de João Paulo II. A tese ficou esquecida. E um ano antes da morte do papa, ele me nomeou secretário do Conselho para a Unidade dos Cristãos, e tudo voltou a ter sentido.

- Quais são os objetivos desse Conselho?

Dom Farrell: Ele foi criado pouco antes do concílio Vaticano II como um instrumento para que o papa João XXIII introduzisse nos debates a preocupação com a unidade das Igrejas. E o concílio Vaticano II teve um papel muito eficaz para educar os bispos na verdadeira natureza da Igreja, e na nossa verdadeira relação com as pessoas batizadas que, falando no geral, antes do concílio Vaticano II sempre foram consideradas como gente fora da Igreja. Durante os quatro anos do concílio, os bispos aprenderam muito, graças aos debates, graças à presença de observadores das Igrejas ortodoxas e das comunidades protestantes. E depois conseguiram assinar, quase por unanimidade, um documento reconhecendo que, com todos os batizados, com todas as demais Igrejas e comunidades cristãs, nós temos uma comunhão verdadeira, apesar de incompleta.

- O papa Bento XVI fez desse diálogo ecumênico, em especial com a Igreja ortodoxa russa, uma prioridade deste pontificado. Por quê?

Dom Farrell: Existe mesmo uma certa prioridade com a Igreja ortodoxa russa porque ela é a maior de todas as Igrejas ortodoxas. Mas esse interesse e desejo de mais comunhão com a Igreja ortodoxa abraça todo o mundo ortodoxo, e o nosso diálogo teológico com a Ortodoxia não é com uma Igreja ortodoxa em particular. Desde o princípio ele tem que ser com todas elas juntas, porque todas juntas formam uma unidade. Elas têm os mesmos princípios, estruturas e tradição, os mesmos valores e beleza litúrgica. São como uma só no diálogo teológico. Temos também relações bilaterais diretas com cada uma destas Igrejas ortodoxas individuais e, desde o concílio Vaticano II, essas relações progrediram enormemente. Com algumas Igrejas foi mais rápido, com algumas mais profundo, mas podemos dizer que com todas as Igrejas ortodoxas, sem exclusão, temos neste momento um contato muito amistoso, muito aberto e muito constante, e colaboramos de muitas formas.

- Em que aspectos não conseguimos chegar à unidade?

Dom Farrell: Esta é uma pergunta muito difícil de responder em poucas palavras. Precisamos de volumes, bibliotecas, anos de debate para averiguar onde estamos a respeito uns dos outros.

- São mil anos de separação...

Dom Farrell: E precisaremos de muito tempo para aprender a viver uns com os outros, a nos reconhecer de verdade como irmãos e irmãs na mesma Igreja. Isto me leva a um elemento muito importante, que eu acho absolutamente necessário para compreendermos tudo o que é o ecumenismo. O ecumenismo não é como a política entre governos ou a política internacional, onde você tem um objetivo comum e consegue compromissos para alcançá-lo, com estratégias e táticas, etc. O ecumenismo é descobrir o que Deus quer e como Ele quer. No dia em que formos capazes de sentar do lado dos ortodoxos e dizer que não existe mais nada que nos divide, aí estaremos unidos e faremos um ato de fé. E tentando imaginar como será esse dia, eu tenho certeza de que será uma espécie de grande celebração litúrgica, em que faremos profissão da nossa fé. Mas isso implica toda a pessoa, implica a vida; isso nos compromete. Neste sentido, o ecumenismo é muito exigente. Não é só uma questão de acordos, aqui e ali, entre pessoas das igrejas; significa que todo o corpo da Igreja tem que assimilar esta maior fidelidade a Cristo e ao Evangelho. E temos muitíssimo trabalho para fazer.


Fonte: Zenit.org

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Comissão para Juventude discute sua identidade e missão

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A Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB se reuniu no dia 7, em Brasília, para refletir sobre a identidade e missão da sua coordenação jovem. Em pauta, Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), Jornada Mundial da Juventude e Campanha da fraternidade 2013, Dia Nacional da Juventude (DNJ).

A reunião teve a participação do presidente da Comissão, dom Eduardo Pinheiro, e dos assessores, os padres Carlos Sávio e Antonio Ramos do Prado.

“A conclusão que podemos fazer a partir desta primeira reunião é de que realmente estamos em um Kairós para a juventude na Igreja do Brasil, pois as diferenças que existem entre cada expressão, em momento algum foram barreiras para a unidade, muito pelo contrário, elas foram a riqueza da fraternidade ali vivenciada”, sublinhou um dos participantes, Francisco Antonio Crisóstomo de Oliveira.

Segundo Felix Siriani, da Articulação da Juventude Salesiana, “a reunião significou um amadurecimento no trabalho para e com a juventude”. Além das reflexões feitas pela coordenação, muito trabalho conjunto vem pela frente. Representações destes jovens em organismos como Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), Conselho Pontifício para Leigos, participação de reflexões em subsídios para juventude, fazem parte do agir da coordenação.

Membros da Coordenação Nacional de Jovens da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude

Pastorais da Juventude: Francisco Antonio Crisóstomo de Oliveira (PJ), Monique Cavalcante Benevent (PJE), Eric Souza Moura (PJMP) e Laécio Vieira (PJR)

Movimentos Eclesiais: Renato Conte Rocha (EJNS) e Lisiane Griebeler (RCC)

Congregações Religiosas: Alex Bastos (JUFRA) e Félix Fernando Siriani (AJS)

Novas Comunidades: Diogo Victor Rocha (Shalom) e Adriano Gonçalves (Canção Nova)

Adriano Gonçalves – Comunidade Canção Nova

Fonte: CNBB

Ajudar famílias para superar inverno demográfico

ROMA, quinta-feira, 13 de outubro de 2011 – “A mudança demográfica” (Laterza, Bari-Roma 2011) é o título do segundo informe-proposta do comitê para o projeto cultural da Conferência Episcopal Italiana (CEI), que ilustra a trajetória da população da Itália e propõe vias de saída deste “suicídio demográfico”, muito mais complexo que a atual crise econômica.

O informe foi apresentado no dia 5 de outubro, pelo presidente da CEI, cardeal Camillo Ruini, já que é responsável pelo projeto cultural.

“O subtítulo 'informe-proposta sobre o futuro da Itália' é muito significativo – disse o purpurado a ZENIT. De fato, esse dossier lança um alarme – como indicaram os diversos expoentes – que se baseia nos dados estatísticos que registram um inverno demográfico. É urgente, portanto, mudar as condições socioculturais e econômicas para favorecer as famílias que querem ter filhos, sem a intervenção por parte do Estado, que teria consequências negativas.”

Tomando a palavra, o cardeal Angelo Bagnasco foi muito claro: é uma recessão demográfica não devida somente a razões econômicas, mas vinculada “sobretudo a uma pobreza cultural e moral, que há muito tempo precedeu o estado de inegável crise que caracteriza a conjuntura presente”.

“A receita, portanto – prosseguiu –, não pode ser a que nos levou a um presente difícil: não é com mais consumo e menos filhos que consertaremos a economia, mas com uma revisão radical das prioridades.”

Depois, o cardeal convidou a “mudar a perspectiva” e fazer “uma crítica decidida a uma cultura niilista que trabalhou sistematicamente para a eliminação de um dos valores que funda o ser humano e o sustenta, isto é, a maternidade e a família”. É necessário, segundo ele, “incentivar novos modelos de solidariedade interfamiliar e intergeracional, agindo de maneira que os pais não se sintam abandonados pela sociedade que mantêm viva”.

Esta é a preocupação da Igreja pela mudança demográfica: “Se não conseguirmos chegar, em pouco tempo, a uma mudança das condições psicológicas e culturais para selar um pacto intergeracional, a Itália não poderá inverter sua própria ruína: poderá talvez aumentar a riqueza de alguns, de poucos, mas arruinará o destino de um povo”.


Fonte: ZENIT.org

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Dom celli e a era digital na Igreja


dom_claudio_maria_celliA Igreja tem de falar a linguagem do homem moderno, se quer ser entendida. Esta foi uma das mensagens que o Presidente do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, Dom Claudio Maria Celli deixou no último sábado nas Jornadas da Comunicação Social, em Fátima, no seu discurso sobre a “Era Digital e comunicação na Igreja Católica”. “A Igreja deve dialogar com esta cultura digital originada pelas novas tecnologias. Necessitamos fazer este diálogo, porque é o diálogo com o homem de hoje, cuja vida está marcada, transformada por estas tecnologias. Tenho de falar uma linguagem que o homem e a mulher de hoje entendam. Uma coisa é falar com uma criança de 10 anos, outra é falar com um homem de 40 ou com um homem de 60, são momentos distintos da vida, e a minha linguagem deve sintonizar-se com a experiência humana, com as exigências, os desejos, os sofrimentos, as alegrias de cada momento da vida. Esta é uma das grandes tarefas da Igreja”, afirmou.
O presidente Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais disse ainda, que o tema escolhido pelo Papa para o próximo Dia Mundial das Comunicações é “Silêncio e Palavra: caminho de evangelização”. Dom Claudio Maria Celli explicou que Bento XVI e a Igreja se preocupam com o lado “humano” e não apenas tecnológico da nova “cultura digital”. Daí que o Papa quer alertar, desta vez, para a importância do silêncio que o Homem moderno tanto receia, mas que é fundamental para a própria comunicação que hoje tem demasiado “ruído”.
“O Santo Padre quer convidar-nos a compreender que a comunicação deve ter sempre uma dimensão humana. O Papa pede que a comunicação, com ou sem tecnologia, seja uma comunicação profundamente humana e é indiscutível que se exija um silêncio”, afirmou. Dom Claudio Maria Celli acrescenta que “hoje em dia as pessoas têm medo do silêncio porque é um silêncio vazio e não é disto que o Papa quer falar. Quer falar de um coração do homem e mulher que procuram o silêncio para se encontrarem a si mesmos, para se conhecerem a si mesmos, mas, ao mesmo tempo, para ter uma dimensão de abertura face ao outro, para que o outro possa entrar no meu coração e eu o possa conhecer mais profundamente”.
Fonte: CNBB

Francisco de assis nas palavras do cardeal Hummes


domClaudioHummesokCelebra-se nesta terça-feira, 4 de outubro, a festa do grande São Francisco de Assis. Jovem pertencente à classe alta, envolvido pelos prazeres da vida, foi tocado pela misericórdia de Deus e deixou-se levar por ela. Colaborou para sua conversão ao serviço da vida o sonho que teve em uma situação de conflito armado onde combatia a favor do Papa e era convidado a seguir de preferência o Patrão do que o servo. Voltando a Assis, dedicou-se ao serviço dos doentes e pobres.
Um dia indo rezar na igrejinha de São Damião, em ruínas, ouviu: “Francisco, repara minha Igreja, que como vês está desabando”. Francisco, tomado de grande fervor, despojou-se de tudo: riquezas, ambições, orgulho e até da roupa que usava. Não apenas abraçou, mas também repropôs ao mundo o ideal evangélico de humildade, pobreza e castidade.
Vestido pobremente, juntamente com seus amigos se apresentou ao Papa Inocêncio III, que profundamente impressionado com o grupo, aprovou a Regra Franciscana. “A regra e a vida dos Frades Menores é observar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em obediência, sem propriedade e em castidade”. O maior desejo de São Francisco era que seus seguidores vivessem o Evangelho. Aqueles que quiserem um dia seguir os passos de São Francisco devem observar o propósito: "o homem não vive somente de pão, mas de toda palavra da boca de Deus".
Francisco viveu intensamente as palavras do Senhor que dizem: "Vem e Segue-me". Atendeu a este apelo radicalmente doando-se aos irmãos e principalmente, lutando junto à cruz de Cristo para atingir a perfeição evangélica. Seu exemplo, admirado e seguido por milhares de pessoas através dos séculos, é o que nos cativa até hoje, e nos convida a viver essa doação ao próximo e ao irmão. Que a palavra do Senhor viva em nosso meio nos seja também fonte de inspiração, vida e esperança para a nossa vida e para os irmãos, como foi em Francisco o grande "Arauto da Paz". O Cardeal Claudio Hummes, Arcebispo emérito de São Paulo e Prefeito emérito da Congregação para o Clero, é um franciscano. Ele participou, semana passada, do encontro "A relação entre a Ordem franciscana e a Igreja", na cidade de Assis. Ele lembrou uma frase da primeira regra não bulada (não definitiva) de São Francisco: "os frades sejam católicos. Eis a declaração de Dom Claudio:
“A frase, lapidar, era exatamente o que era São Francisco. O franciscano deve ser muito em comunhão com o Papa, com a Igreja romana, com a Igreja católica: os frades sejam católicos. Não precisou dizer mais do que isto. No fundo, o que Francisco queria era viver o Evangelho literalmente, sem nenhuma modificação. Ele queria era viver o Evangelho. Por isso também ele foi o santo que reformou a Igreja com amor; ele nunca criticou a Igreja ou quem quer que seja da Igreja; só pediu a Igreja a benção para viver plenamente e ao pé da letra, o Evangelho de Jesus Cristo, a vida de Jesus com seus apóstolos. No encontro de Assis falou-se também da missão, da Nova Evangelização, que hoje é uma das grandes expectativas da Igreja. O Papa espera dos franciscanos que nós também nos empenhemos na missão e na Nova Evangelização. Foi uma das coisas que eu também coloquei na palestra sobre as “Expectativas da Igreja em relação aos franciscanos”
Fonte: CNBB