domingo, 3 de fevereiro de 2013


Cardeal Sarah: trabalho da Igreja em favor dos pobres é imenso



Cidade do Vaticano (RV) - A relação entre fé e caridade, coração da Mensagem de Quaresma do Papa, esteve no centro da apresentação do texto na Sala de Imprensa da Santa Sé, feita nesta sexta-feira. O presidente do Pontifício Conselho "Cor Unum", Cardeal Robert Sarah, recordou a imensa atividade caritativa da Igreja e anunciou uma missão na Jordânia para coordenar as ajudas na região e, em particular, em favor da Síria.

É impossível quantificar o empenho da Igreja em favor dos pobres, das vítimas da guerra, em favor das famílias em dificuldade, dos doentes. Assim se expressou o Cardeal Sarah, que, apresentando a Mensagem de Quaresma do Papa, reiteradas vezes evidenciou que fé e caridade são as duas faces da pertença a Cristo.

As ajudas do Papa ao longo de 2012 foram de mais de três milhões e meio de euros: uma demonstração da proximidade de Bento XVI aos muitos sofrimentos no mundo.

"Existem na Igreja ao menos 165 Caritas no mundo inteiro. Elas fazem parte de uma confederação que é a Caritas internacional. O trabalho da Igreja em favor dos pobres é imenso."

Também a Carta Apostólica do Papa em forma de Motu Proprio "A natureza íntima da Igreja" – sobre o serviço da caridade – esteve no centro das perguntas dos jornalistas. O purpurado ressaltou o compromisso de Bento XVI em esclarecer alguns aspectos normativos:

"O Santo Padre já havia notado, a esse propósito, a ausência do compromisso explícito do bispo. Pensou então ilustrar o trabalho e o compromisso do bispo para o início das atividades caritativas na própria diocese, nas paróquias e para envolver toda a comunidade. Essa ausência de compromisso explícito do bispo poderia inclusive levar a atividade caritativa da Igreja para um caminho que não expressa verdadeiramente a identidade da Igreja."

Por fim, na conclusão da coletiva de imprensa o presidente de "Cor Unum" anunciou uma nova viagem ao Oriente Médio, programada para realizar-se de 19 a 21 deste mês. O Cardeal Sarah encontrará em Amã também o rei da Jordânia, Abdullah, e os delegados de Caritas Mona – Oriente Médio e norte da África – para discutir particularmente sobre a difícil situação na Síria:

"Estamos na fase de ajuda concreta a esses refugiados e, portanto, continuamos acompanhando a situação. Devemos discutir e enfrentar concretamente a trágica situação no país, onde agora é inverno. Faz frio, falta alimento, faltam remédios. Talvez não encontremos soluções, mas queremos buscar pôr fim a esta guerra." (RL)

Rádio Vaticano

terça-feira, 29 de janeiro de 2013


Arcebispo de Santa Maria: "Este é o momento da reflexão e da esperança"



Santa Maria (RV) - Abalados pelo incêndio que matou pelo menos 231 pessoas e deixou várias outras feridas na boate Kiss, na cidade gaúcha de Santa Maria, familiares e amigos de mortos na tragédia passaram a madrugada de domingo para esta segunda-feira velando os corpos.

Diversos caixões permaneceram até a manhã no Centro Desportivo Municipal, para onde os corpos estão sendo identificados. Durante o dia, familiares e amigos, além de 500 voluntários, entre eles médicos, psicólogos, além de policiais, militares, religiosos e jornalistas, foram ao ginásio.

Boa parte dos 261 mil habitantes de Santa Maria foi ao local mostrar seu apoio às famílias das vítimas.

“Sabemos que podia ter sido qualquer de nós. Não há uma pessoa que não esteja estremecida em Santa Maria. Foi uma coisa grave, sem explicação” - disse à Agência Efe o médico Cléber Lotes, que trabalha como voluntário para atender os parentes de possíveis ataques de ansiedade ou de queda de pressão.

A cidade está mobilizada. 

A Rádio Vaticano contatou o arcebispo de Santa Maria, Dom Hélio Rubert, que quis transmitir uma palavra de conforto aos familiares e amigos dos jovens que perderam a vida na tragédia.

Ontem em Santa Maria havia um clima de guerra, pode-se dizer. Foi muito grande a consternação, a movimentação e a agitação em todos os lugares da cidade. Hoje já está um pouco mais calmo. Nós queremos dizer a nosso povo que tenha calma e muita esperança. Nós sabemos que nossa pátria definitiva não é esta terra; nós aqui estamos caminhando unidos. Procurando viver a paz, o amor, o bem-querer entre nós, sempre com o olhar voltado para o céu, para o além, que nos aguarda e que é a nossa pátria definitiva”. 
“Esta fatalidade, ou tragédia, nos comoveu profundamente a todos, especialmente as famílias, os amigos, as pessoas relacionadas com tantos jovens que na flor da mocidade foram colhidos para outra vida. Agora não é o momento de condenarmos, julgarmos, mas é o momento de oração, de reflexão, de olhar para frente com esperança e aprendermos muitas lições deste fato, que consternou – podemos dizer – a humanidade, visto que a notícia está pelo mundo afora. O episódio nos faz refletir, neste Ano da Juventude, como nós estamos trabalhando com nossos jovens nas famílias, nas escolas e na sociedade; que precisamos ajudar nossos jovens a buscar realmente os valores consistentes e que constroem a pessoa humana em sua integralidade”. 

“Vamos celebrar às 9h em Santa Maria, uma Missa a nível nacional, transmitida pela Rede Vida, na Basílica Nossa Senhora Medianeira de todas as Graças, para todo o Brasil. Colocamos todas as Igrejas de Santa Maria a disposição para velórios, para oração, neste momento que deve ser de fé e esperança para todos nós. Estamos vivendo em meio a um imenso sofrimento, mas com grande esperança. O Senhor Jesus é a resposta para todos os anseios e nos abre a perspectiva para a eternidade, para uma vida feliz em Deus, para quem coloca Deus como tudo em sua vida e procura os valores do Evangelho”.
(CM)


Papa envia telegrama a dom Hélio Adelar e expressa pesar pela tragédia ocorrida em Santa Maria (RS)

POR: CNBB/RÁDIO VATICANO

Papa_Santa_MariaA Secretaria de Estado do Vaticano divulgou na manhã desta segunda, 28 de janeiro, o telegrama enviado pelo Papa ao arcebispo de Santa Maria, dom Hélio Adelar Rubert, expressando seu pesar pela tragédia ocorrida na cidade universitária. No incêndio da boate ‘Kiss’ morreram 232 jovens e 80 estão hospitalizados em estado grave.
“Consternado pela trágica morte de centenas de jovens em um incêndio em Santa Maria, o Sumo Pontífice pede a Vossa Excelência que transmita às famílias das vítimas suas condolências e sua participação na dor de todos os enlutados. Ao mesmo tempo em que confia a Deus Pai de misericórdia os falecidos, o Santo Padre pede ao céu o conforto e restabelecimento para os feridos, coragem e a consolação da esperança cristã para todos atingidos pela tragédia e envia, a quantos estão em sofrimento e ao mesmo procuram remediá-lo, uma propiciadora bênção apostólica”.
O telegrama de Bento XVI é assinado pelo cardeal Tarcísio Bertone, secretário de Estado de Sua Santidade.

Nota Oficial da CNBB de solidariedade às famílias e ao povo de Santa Maria (RS)

POR: CNBB

logonovaA presidência da CNBB que neste domingo, 27 de janeiro, se manifestou  junto com o arcebispo de Santa Maria (RS), dom Hélio Adelar Rupert, diante do incêndio trágico que colheu a vida de centenas de jovens, emitiu, hoje, segunda-feira, 28 de janeiro, Nota Oficial de solidariedade às famílias e ao povo de Santa Maria.
Leia a Nota:

Nota de Solidariedade às famílias das vítimas e ao povo de Santa Maria


Acompanhamos com dor e solidariedade, desde a madrugada do domingo, o momento de profundo sofrimento vivido pelos feridos e pelas famílias dos que perderam centenas de filhos na tragédia do incêndio em Santa Maria (RS). O Brasil está de luto e as comunidades de fé estão unidas em oração. Deus conduza a todos, nesta hora, para oferecer, aos mortos, dignidade e ambiente de reverência, aos pais e familiares, amparo e assistência, e aos feridos, todo o apoio e tratamento ágil e eficiente.
Unimo-nos ao arcebispo, dom Hélio Adelar Rupert, ao clero e ao povo da arquidiocese de Santa Maria. A Palavra de Deus nos oferece luz para esse momento: “somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angustia; postos em apuros, mas não desesperançados; perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados; por toda parte e sempre levamos em nosso corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa existência mortal ( 2 Cor 4, 8-9).
A consciência cristã nos leva a manifestar também nosso apoio aos homens e mulheres de boa vontade que estão oferecendo ajuda junto às famílias e aos feridos e aos responsáveis pelo poder público que estão tomando as providências para o encaminhamento e solução dos problemas desse momento de aflição. É momento de união e de solidariedade! A concreta participação de colaboração, o respeitoso silêncio e a oração movida pela fé nos faz reconhecer, mais uma vez, que somos todos membros de uma única família que sofre pela perda de tantos jovens, filhas e filhos queridos.


Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da CNBB
José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luis (MA) e vice-presidente da CNBB
Leonardo Ulrich Steiner
Bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB

sábado, 26 de janeiro de 2013


Bento XVI: comunhão em Cristo, exemplo para uma sociedade necessitada de reconciliação



Cidade do Vaticano (RV) - A sociedade atual muitas vezes esquece o Evangelho, precisa de um exemplo de comunhão entre os cristãos que supere toda e qualquer divisão. Assim se expressou o Papa ao presidir na tarde desta sexta-feira, na Basílica romana de São Paulo Fora dos Muros, às segundas Vésperas da festa da Conversão de São Paulo.

A celebração concluiu a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos: um dom de Deus que necessita desses gestos concretos para curar recordações e relações, disse o Pontífice. Ressaltamos que a Igreja no Brasil celebra a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos entre as solenidades da Ascensão do Senhor e Pentecostes.

Na homilia da celebração, o Santo Padre recordou os cristãos na Índia, "por vezes chamados a dar testemunho da fé em condições difíceis".

Celebrando as segundas Vésperas com representantes de outras confissões cristãs, reunidos em torno do túmulo do apóstolo Paulo, Bento XVI falou sobre a unidade dos cristãos como meio privilegiado, pressuposto para anunciar a fé de modo crível a quem não conhece Cristo ou a quem, mesmo já tendo recebido o dom precioso do Evangelho, o esqueceu.

A unidade entre os cristãos, antes de ser fruto de esforços humanos, é obra e dom do Espírito Santo, explicou o Pontífice. A oração, o ecumenismo espiritual é o coração do empenho ecumênico, que sem a fé se reduziria a uma forma de contrato ao qual aderir por um interesse comum. Portanto, a premissa para uma mútua fraternidade é a comunhão com o Pai:

"O diálogo, quando reflete a prioridade da fé, permite abrir-se à ação de Deus com a firme confiança de que sozinhos não podemos construir a unidade, mas é o Espírito Santo que nos guia rumo à plena comunhão, e faz colher a riqueza espiritual presente nas diferentes Igrejas e Comunidades eclesiais."

Diante de uma sociedade como a atual na qual parece que o Evangelho incide cada vez menos, mas necessitada de reconciliação, diálogo e compreensão recíproca, as Igrejas e as Comunidades eclesiais são chamadas a acolher o desafio de, juntas, anunciar Cristo, oferecendo ao mundo um luminoso exemplo na busca da comunhão:

"Ao tempo em que caminhamos rumo à plena unidade, é necessário buscar então uma colaboração concreta entre os discípulos de Cristo em vista da transmissão da fé ao mundo contemporâneo."

Todavia, as questões doutrinais que ainda nos separam, não devem ser subestimadas ou minimizadas: devem ser enfrentadas com coragem, em espírito de fraternidade e respeito recíproco, acrescentou o Papa.

O ecumenismo não dará frutos duradouros se não for acompanhado de gestos concretos de conversão que favoreçam a cura das recordações e das relações, prosseguiu.

O dom da unidade é inseparável do dom da fé, e a fé é inseparável da santidade pessoal, bem como da busca da justiça. Pensando nos cristãos da Índia que prepararam os subsídios para a reflexão durante a Semana de Oração deste ano, celebrada com o tema "O que o Senhor exige de nós" – extraído do livro do profeta Miquéias –, o Papa recordou as condições difíceis em que eles por vezes são chamados a dar testemunho:

"<<Caminhar humildemente com Deus>> significa, em primeiro lugar, caminhar na radicalidade da fé, como Abraão, confiando em Deus, aliás, colocando n'Ele toda nossa esperança e aspiração, mas significa também caminhar para além das barreiras, do ódio, do racismo e da discriminação social e religiosa que dividem e prejudicam a sociedade inteira."

Os representantes do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, da Igreja Anglicana, das Igrejas ortodoxas, das Igrejas ortodoxas orientais e das diferentes comunidades eclesiais participaram das segundas Vésperas presididas pelo Santo Padre.

Em nome de todos, o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Cardeal Kurt Koch, saudou o Pontífice. (RL)

Rádio Vaticano