terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Cuba recebe Seminário de Comunicação para bispos

Os bispos terão cursos sobre noções básicas de comunicação e as mudanças trazidas pelas novas tecnologias

Cuba recebe Seminário de Comunicação para bispos
Dom Cláudio Maria Celli preside o encontro em Havana, Cuba / Foto: Arquivo
“Comunicação a serviço de uma autêntica cultura do encontro” é o tema do Seminário que teve início nesta segunda-feira, 3, em Havana, Cuba. O evento, organizado pelo Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, conta com a participação de  35 bispos da América Central e do Caribe.
A mensagem do Papa Francisco para o 48º Dia Mundial das Comunicações Sociais servirá de base para a reflexão dos participantes. O seminário contará também com palestras sobre noções básicas sobre comunicação, e as  mudanças trazidas pelas novas tecnologias digitais.
“Se usarmos uma linguagem apropriada para a dimensão profissional, aspectos tecnológicos apropriados e, ao mesmo tempo,  enriquecidos pelo magistério da Igreja ao qual somos fiéis, suscitaremos  maior interesse por Jesus Cristo”, destaca o presidente do Dicastério para a Comunicação, Dom Cláudio Maria Celli.
“Como diz o Papa Francisco, é necessário colocar-se a caminho para estar próximo às pessoas, para compartilhar, para andar ao lado do outro, para ser uma igreja que demonstra proximidade do homem moderno", conclui Dom Celli.
O arcebispo reafirma o grande desafio da Igreja no campo comunicativo e a importância de cursos dedicados ao assunto. O seminário destinado aos bispos é o segundo realizado no continente americano. O primeiro foi realizado em Recife (PE), no final do ano passado.

Fonte: Canção Nova Notícias

Mensagem aos Institutos Seculares e de Vida Consagrada por ocasião do 18º Dia Mundial da Vida Consagrada


Dom Pedro Brito Guimarães, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB (Foto: Canção Nova)

O presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, Dom Pedro Brito Guimarães, enviou uma mensagem neste domingo, 2, aos Institutos Seculares e de Vida Consagrada por ocasião do 18º Dia Mundial da Vida Consagrada.
No texto, o arcebispo destaca que os consagrados têm a missão de “ajudar os homens e as mulheres do nosso tempo a se encontrar com Jesus e ter a alegria de carregá-lo no coração”. Dom Pedro recorda as palavras do Papa Francisco, na Exortação ApostólicaEvangelli Gaudium, na qual disse que a vida consagrada é “um meio privilegiado de evangelização eficaz”.
“Neste dia de feliz comemoração dos vossos estados de vida, façamos votos que todas as comunidades paroquiais ou outras formas de comunidades e diferentes famílias religiosas se reúnam para momentos de oração e fervorosa ação de graças”, desejou o arcebispo.
Leia, abaixo, a mensagem na íntegra:
Mensagem aos Institutos Seculares e de Vida Consagrada
Amados, amadas de Deus
Tenho Sede!
“Despertem o mundo! Sejam testemunhos de uma forma diferente de fazer as coisas, de agir, de viver! É possível viver neste mundo de forma diferente” (Papa Francisco).
Caríssimos irmãos, caríssimas irmãs, em Jesus Cristo, nosso Salvador, membros dos Institutos Seculares e das Sociedades de Vida Apostólica, a nossa Mãe Igreja faz coincidir o dia da Apresentação de Jesus ao Templo com o dia dedicado aos senhores e às senhoras.
As ricas imagens de Simeão, com Jesus nos braços e a da profetisa Ana, que dia e noite servia a Deus no Templo, nos falam da harmonia que deve haver entre o antigo e o novo no coração de cada consagrado(a) a Deus, qualquer que seja o estado de vida. Como não ver nestas imagens a vida e o trabalho de cada um dos senhores e de cada uma das senhoras, membros dos Institutos Seculares e das Sociedades de Vida Apostólica, homens e mulheres que, de maneira livre e espontânea, total e existencial, vivem, mediante os carismas próprios, a radicalidade do seguimento de Jesus. Toda vocação é boa e bonita. Basta vivê-la em plenitude.
Jesus Cristo é apresentado ao mundo como luz e salvação para o povo de Israel que vivia na expectativa da chegada do Messias de Deus. Como Simeão, devemos, como consagrados e consagradas, ter sempre em nossos corações o desejo do encontro com Jesus e de receber dele a plenitude de vida e de sua graça, que somente Ele pode nos oferecer. Ele é a luz que ilumina nossas vidas e aquece nossos corações. É Ele a esperança última dos corações humanos que não querem morrer antes de o encontrar. É Ele o este sinal de contradição para um mundo que prima .. Ele é a espada que traspassará nossos corações, deixando-os indivisos.
A vida, a vocação e a missão de quem se consagrada a Deus, a exemplo de Jesus, deve também ser um farol que ilumina aqueles que vivem na noite do pecado, da ignorância e do desamor. Ajudar os homens e as mulheres do nosso tempo a se encontrar com Jesus e ter a alegria de carregá-lo no coração é a missão primeira de quem se consagra a Deus na doação total.
As pessoas de vida consagrada, vivida plenamente pelos membros dos Institutos Seculares e pelas Sociedades de Vida Apostólica, são chamadas a ser reflexo da bondade, da misericórdia e da compaixão que vem de Deus. Ao refletir a luz de Cristo na vida cotidiana de silêncio, de escondimento e de inserção no tecido da vida social, os senhores e as senhoras irradiam o bom odor de Cristo e são capazes de gritar com vossas vidas o quanto é importante ser sinal do amor oblativo e criativo de Deus por este mesmo mundo que tem dificuldade de fazer as contas com o mistério de Deus. Não são poucos hoje aqueles ou aquelas que vivem suas vidas como se Deus não existisse. A estes devemos com coragem anunciar a boa nova do Reino.
Devemos ser, neste mundo, sal, luz e fermento, pois “a Igreja cresce, não por proselitismo, mas por atração; como Cristo atrai tudo para si, com a força do seu amor, a Igreja atrai quando vive em comunhão, pois, os discípulos de Jesus serão reconhecidos se amarem uns aos outros como Ele nos amou” (DAp 159).
Caros e caras, o papa Francisco, na Evangelli Gaudium, com uma frase lapidar, define muito bem o que os senhores e as senhoras são na e para a Igreja: “os religiosos tem na sua vida consagrada um meio privilegiado de evangelização eficaz. Pelo mais profundo de seu ser, eles situam-se de fato no dinamismo da Igreja, sequiosa do Absoluto de Deus e chamada a santidade. É desta santidade que dão testemunho. Eles encarnam a Igreja desejosa de se entregar ao radicalismo das bem-aventuranças” (EG, 69).
Hoje muito se fala da crise pela qual passa a vida consagrada. É preciso, enfim, nos debruçarmos com atenção sobre esta questão para identificar as razões de tal situação e as possíveis respostas para amenizar os efeitos danosos de tal crise. Mais do que uma crise da vida consagrada enquanto tal, o que está em crise hoje é nossa capacidade de entregar completamente nossa vida a Jesus; o que está em crise são nossas escolhas, o nosso testemunho, a nossa vivência do Evangelho. Diante deste estado de coisas, devemos ritmar  nossos passos no caminho de Jesus, descobrindo que Ele nos dá tudo aquilo que nos faz plenamente felizes. Por Ele, vale a pena deixar tudo e arriscar a vida. Somente Ele pode saciar nossa sede e nossos desejos de paz e de felicidade que se aninham em nosso coração.
Por fim, constatamos com alegria que os Institutos Seculares e as outras formas de vida apostólica vão, aos poucos, encontrando seus lugares na Igreja e no mundo, manifestando a força transformadora do Evangelho de Jesus Cristo. É importante que a vocação e a missão dos senhores e das senhoras sejam cada vez mais valorizadas, estimuladas, visibilizadas e testemunhadas, a fim de que a Igreja seja realmente uma comunidade plena de dons e de carismas.
Neste dia de feliz comemoração dos vossos estados de vida, façamos votos que todas as comunidades paroquiais ou outras formas de comunidades e diferentes famílias religiosas, se reúnam para momentos de oração e fervorosa ação de graças. Vivam este dia que o Senhor fez para os senhores e as senhoras como dia de oração, reflexão, revisão de vida e confraternização.
Aproximamo-nos daquele que é Vida Plena e somente nele encontremos nossa alegria e nossa esperança!
Que o bom Jesus nos carregue em seus braços e ilumine nossas vidas.
Com minha benção!
Dom Pedro Brito Guimarães
Arcebispo Metropolitano de Palmas e
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os
Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada
Fonte: CNBB

Comunicação ao serviço da cultura do encontro: mensagem do Papa Francisco para o 48° Dia Mundial das Comunicações Sociais


D. Claudio Maria Celli, Presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, apresentou, esta manhã, na Sala de Imprensa do Vaticano, a Menagem do Papa Francisco para o 48º Dia Mundial das Comunicações sociais, que será celebrada no próximo dia 1 de Junho de 2014. Tema: “Comunicação ao serviço de uma autêntica cultura do encontro”. 

Na mensagem, o Papa Francisco faz, antes de mais, uma análise fenomenológica profunda do mundo contemporâneo em que vivemos, chamando assim atenção para o facto que “hoje, afirma, vivermos num mundo que está a tornar-se cada vez menor, parecendo, por isso mesmo, que deveria ser mais fácil fazer-se próximo uns dos outros. Os progressos dos transportes e das tecnologias de comunicação deixam-nos mais próximo, interligando-nos sempre mais, e a globalização faz-nos mais interdependentes. Todavia, dentro da humanidade, permanecem divisões, e às vezes muito acentuadas. A nível global, vemos a distância escandalosa que existe entre o luxo dos mais ricos e a miséria dos mais pobres”. 

Neste sentido o Papa Francisco assinala um exemplo de um fenómeno bastante triste típico das grandes cidades dos países ricos: “Frequentemente, diz o Papa Francisco, basta passar pelas estradas duma cidade para ver o contraste entre os que vivem nos passeios e as luzes brilhantes das lojas”. Mas entretanto, “estamos já tão habituados a tudo isso que nem nos impressiona. O mundo sofre de múltiplas formas de exclusão, marginalização e pobreza, como também de conflitos para os quais convergem causas económicas, políticas, ideológicas e até mesmo, infelizmente, religiosas. 

Em seguida, o Papa se pergunta sobre qual pode ser afinal o verdadeiro papel que os meios de comunicação sociais podem e devem desempenhar num mundo assim descrito e responde dizendo: “neste mundo, os mass-media podem ajudar a sentir-nos mais próximo uns dos outros; a fazer-nos perceber um renovado sentido de unidade da família humana, que impele à solidariedade e a um compromisso sério para uma vida mais digna. Uma boa comunicação ajuda-nos a estar mais perto e a conhecer-nos melhor entre nós, a sermos mais unidos”.

“Os muros que nos dividem, prossegue o Papa Francisco só podem ser superados, se estivermos prontos a ouvir e a aprender uns dos outros. Precisamos de harmonizar as diferenças por meio de formas de diálogo, que nos permitam crescer na compreensão e no respeito. A cultura do encontro requer que estejamos dispostos não só a dar, mas também a receber de outros. Os mass-media podem ajudar-nos nisso, especialmente nos nossos dias em que as redes da comunicação humana atingiram progressos sem precedentes. Particularmente a internet pode oferecer maiores possibilidades de encontro e de solidariedade entre todos; e isto é uma coisa boa, é um dom de Deus”. 

No entanto, para que tudo isso aconteça, é preciso enfrentar sériamente, alguns aspectos problemáticos no mundo da comunicação social hodierna: por exemplo, recorda o Papa Francisco, “a velocidade da informação supera a nossa capacidade de reflexão e discernimento, e não permite uma expressão equilibrada e correcta de si mesmo. A variedade das opiniões expressas pode ser sentida como riqueza, mas é possível também fechar-se numa esfera de informações que correspondem apenas às nossas expectativas e às nossas ideias, ou mesmo a determinados interesses políticos e económicos. O facto por exemplo, que o ambiente da comunicação pode ajudar-nos a crescer ou, pelo contrário, desorientar-nos. O desejo de conexão digital pode acabar por nos isolar do nosso próximo, de quem está mais perto de nós. Sem esquecer que a pessoa que, pelas mais diversas razões, não tem acesso aos meios de comunicação social corre o risco de ser excluído”. 

Estes limites, recorda o Papa, “são reais, mas não justificam uma rejeição dos mass-media; antes, recordam-nos que, em última análise, a comunicação é uma conquista mais humana que tecnológica”. Para portanto permitir o nosso crescimento em humanidade e na compreensão recíproca nessa era digital, devemos, por exemplo, assinala o Papa Francisco, “recuperar um certo sentido de pausa e calma. Isto requer tempo e capacidade de fazer silêncio para escutar. Temos necessidade também de ser pacientes, se quisermos compreender aqueles que são diferentes de nós: uma pessoa expressa-se plenamente a si mesma, não quando é simplesmente tolerada, mas quando sabe que é verdadeiramente acolhida. Se estamos verdadeiramente desejosos de escutar os outros, então aprenderemos a ver o mundo com olhos diferentes e a apreciar a experiência humana tal como se manifesta nas várias culturas e tradições. Entretanto saberemos apreciar melhor também os grandes valores inspirados pelo Cristianismo, como, por exemplo, a visão do ser humano como pessoa, o matrimónio e a família, a distinção entre esfera religiosa e esfera política, os princípios de solidariedade e subsidiariedade, entre outros. 

Eis então finalmente a grande questão de toda a mensagem do Papa: afinal, como pode a comunicação estar ao serviço de uma autêntica cultura do encontro? E – para nós, discípulos do Senhor – que significa, segundo o Evangelho, encontrar uma pessoa? Como é possível, apesar de todas as nossas limitações e pecados, ser verdadeiramente próximo aos outros? O Papa responde dizendo que estas perguntas resumem-se naquela que, um dia, um escriba – isto é, um comunicador – pôs a Jesus: «E quem é o meu próximo?» (Lc 10, 29 ). Esta pergunta ajuda-nos a compreender a comunicação em termos de proximidade. Poderíamos traduzi-la assim: Como se manifesta a «proximidade» no uso dos meios de comunicação e no novo ambiente criado pelas tecnologias digitais? Encontro resposta na parábola do bom samaritano, que é também uma parábola do comunicador. Na realidade, quem comunica faz-se próximo. E o bom samaritano não só se faz próximo, mas cuida do homem que encontra quase morto ao lado da estrada. Jesus inverte a perspectiva: não se trata de reconhecer o outro como um meu semelhante, mas da minha capacidade para me fazer semelhante ao outro. Por isso, comunicar significa tomar consciência de que somos humanos, filhos de Deus. Apraz-me definir este poder da comunicação como «proximidade». 

Por conseguinta,quando a comunicação tem como fim predominante induzir ao consumo ou à manipulação das pessoas, encontramo-nos perante uma agressão violenta como a que sofreu o homem espancado pelos assaltantes e abandonado na estrada, como lemos na parábola. Naquele homem, o levita e o sacerdote não vêem um seu próximo, mas um estranho de quem era melhor manter a distância. Naquele tempo, eram condicionados pelas regras da pureza ritual. Hoje, corremos o risco de que alguns mass-media nos condicionem até ao ponto de fazer-nos ignorar o nosso próximo real. 

Precisamos de amar e ser amados. Precisamos de ternura. Não são as estratégias comunicativas que garantem a beleza, a bondade e a verdade da comunicação. O próprio mundo dos mass-media não pode alhear-se da solicitude pela humanidade, chamado como é a exprimir ternura. A rede digital pode ser um lugar rico de humanidade: não uma rede de fios, mas de pessoas humanas. O envolvimento pessoal é a própria raiz da fiabilidade dum comunicador. É por isso mesmo que o testemunho cristão pode, graças à rede, alcançar as periferias existenciais” concluiu o Papa. 

Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações



O Pontifício Conselho para as Comunicações divulgou hoje, 23, a mensagem do papa Francisco para o 48º Dia Mundial das Comunicações Sociais, a ser celebrado em 1º de junho. O texto traz como tema “Comunicação a serviço de uma autêntica cultura do encontro”.

O papa reconhece a importância dos meios de comunicação e novas mídias sociais digitais. " Podem ajudar a sentir-nos mais próximo uns dos outros; a fazer-nos perceber um renovado sentido de unidade da família humana”, afirma. Porém, faz um alerta para que as redes não sejam usadas para o isolamento social. “O próprio mundo dosmass media não pode alhear-se da solicitude pela humanidade, chamado como é a exprimir ternura. A rede digital pode ser um lugar rico de humanidade: não uma rede de fios, mas de pessoas humanas”, acrescenta o papa.
Confira a íntegra do texto:

Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais
48º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

Comunicação ao serviço de uma autêntica cultura do encontro
1 de Junho de 2014
Mensagem do Santo Padre Francisco
Queridos irmãos e irmãs, Hoje vivemos num mundo que está a tornar-se cada vez menor, parecendo, por isso mesmo, que deveria ser mais fácil fazer-se próximo uns dos outros. Os progressos dos transportes e das tecnologias de comunicação deixam-nos mais próximo, interligando-nos sempre mais, e a globalização faz-nos mais interdependentes. Todavia, dentro da humanidade, permanecem divisões, e às vezes muito acentuadas. A nível global, vemos a distância escandalosa que existe entre o luxo dos mais ricos e a miséria dos mais pobres. Frequentemente, basta passar pelas estradas duma cidade para ver o contraste entre os que vivem nos passeios e as luzes brilhantes das lojas. Estamos já tão habituados a tudo isso que nem nos impressiona. O mundo sofre de múltiplas formas de exclusão, marginalização e pobreza, como também de conflitos para os quais convergem causas econômicas, políticas, ideológicas e até mesmo, infelizmente, religiosas.
Neste mundo, os mass-media podem ajudar a sentir-nos mais próximo uns dos outros; a fazer-nos perceber um renovado sentido de unidade da família humana, que impele à solidariedade e a um compromisso sério para uma vida mais digna. Uma boa comunicação ajuda-nos a estar mais perto e a conhecer-nos melhor entre nós, a ser mais unidos. Os muros que nos dividem só podem ser superados, se estivermos prontos a ouvir e a aprender uns dos outros. Precisamos de harmonizar as diferenças por meio de formas de diálogo, que nos permitam crescer na compreensão e no respeito. A cultura do encontro requer que estejamos dispostos não só a dar, mas também a receber de outros.
Os mass-media podem ajudar-nos nisso, especialmente nos nossos dias em que as redes da comunicação humana atingiram progressos sem precedentes. Particularmente a internet pode oferecer maiores possibilidades de encontro e de solidariedade entre todos; e isto é uma coisa boa, é um dom de Deus. No entanto, existem aspectos problemáticos: a velocidade da informação supera a nossa capacidade de reflexão e discernimento, e não permite uma expressão equilibrada e correta de si mesmo. A variedade das opiniões expressas pode ser sentida como riqueza, mas é possível também fechar-se numa esfera de informações que correspondem apenas às nossas expectativas e às nossas ideias, ou mesmo a determinados interesses políticos e económicos. O ambiente de comunicação pode ajudar-nos a crescer ou, pelo contrário, desorientar-nos.
O desejo de conexão digital pode acabar por nos isolar do nosso próximo, de quem está mais perto de nós. Sem esquecer que a pessoa que, pelas mais diversas razões, não tem acesso aos meios de comunicação social corre o risco de ser excluído. Estes limites são reais, mas não justificam uma rejeição dos mass-media; antes, recordam-nos que, em última análise, a comunicação é uma conquista mais humana que tecnológica. Portanto haverá alguma coisa, no ambiente digital, que nos ajuda a crescer em humanidade e na compreensão recíproca? Devemos, por exemplo, recuperar um certo sentido de pausa e calma. Isto requer tempo e capacidade de fazer silêncio para escutar.
Temos necessidade também de ser pacientes, se quisermos compreender aqueles que são diferentes de nós: uma pessoa expressa-se plenamente a si mesma, não quando é simplesmente tolerada, mas quando sabe que é verdadeiramente acolhida. Se estamos verdadeiramente desejosos de escutar os outros, então aprenderemos a ver o mundo com olhos diferentes e a apreciar a experiência humana tal como se manifesta nas várias culturas e tradições. Entretanto saberemos apreciar melhor também os grandes valores inspirados pelo Cristianismo, como, por exemplo, a visão do ser humano como pessoa, o matrimônio e a família, a distinção entre esfera religiosa e esfera política, os princípios de solidariedade e subsidiariedade, entre outros.
Então, como pode a comunicação estar ao serviço de uma autêntica cultura do encontro? E – para nós, discípulos do Senhor – que significa, segundo o Evangelho, encontrar uma pessoa? Como é possível, apesar de todas as nossas limitações e pecados, ser verdadeiramente próximo aos outros? Estas perguntas resumem-se naquela que, um dia, um escriba – isto é, um comunicador – pôs a Jesus: «E quem é o meu próximo?» (Lc 10, 29 ).
Esta pergunta ajuda-nos a compreender a comunicação em termos de proximidade. Poderíamos traduzi-la assim: Como se manifesta a «proximidade» no uso dos meios de comunicação e no novo ambiente criado pelas tecnologias digitais? Encontro resposta na parábola do bom samaritano, que é também uma parábola do comunicador. Na realidade, quem comunica faz-se próximo. E o bom samaritano não só se faz próximo, mas cuida do homem que encontra quase morto ao lado da estrada. Jesus inverte a perspectiva: não se trata de reconhecer o outro como um meu semelhante, mas da minha capacidade para me fazer semelhante ao outro.
Por isso, comunicar significa tomar consciência de que somos humanos, filhos de Deus. Apraz-me definir este poder da comunicação como «proximidade». Quando a comunicação tem como fim predominante induzir ao consumo ou à manipulação das pessoas, encontramo-nos perante uma agressão violenta como a que sofreu o homem espancado pelos assaltantes e abandonado na estrada, como lemos na parábola. Naquele homem, o levita e o sacerdote não vêem um seu próximo, mas um estranho de quem era melhor manter a distância. Naquele tempo, eram condicionados pelas regras da pureza ritual.
Hoje, corremos o risco de que alguns mass-media nos condicionem até ao ponto de fazer-nos ignorar o nosso próximo real. Não basta circular pelas «estradas» digitais, isto é, simplesmente estar conectados: é necessário que a conexão seja acompanhada pelo encontro verdadeiro. Não podemos viver sozinhos, fechados em nós mesmos. Precisamos de amar e ser amados. Precisamos de ternura. Não são as estratégias comunicativas que garantem a beleza, a bondade e a verdade da comunicação. O próprio mundo dos mass-media não pode alhear-se da solicitude pela humanidade, chamado como é a exprimir ternura. A rede digital pode ser um lugar rico de humanidade: não uma rede de fios, mas de pessoas humanas.
A neutralidade dos mass-media é só aparente: só pode constituir um ponto de referimento quem comunica colocando-se a si mesmo em jogo. O envolvimento pessoal é a própria raiz da fiabilidade dum comunicador. É por isso mesmo que o testemunho cristão pode, graças à rede, alcançar as periferias existenciais. Tenho-o repetido já diversas vezes: entre uma Igreja acidentada que sai pela estrada e uma Igreja doente de auto-referencialidade, não hesito em preferir a primeira.
E quando falo de estrada penso nas estradas do mundo onde as pessoas vivem: é lá que as podemos, efetiva e afetivamente, alcançar. Entre estas estradas estão também as digitais, congestionadas de humanidade, muitas vezes ferida: homens e mulheres que procuram uma salvação ou uma esperança. Também graças à rede, pode a mensagem cristã viajar «até aos confins do mundo» (Act 1, 8). Abrir as portas das igrejas significa também abri-las no ambiente digital, seja para que as pessoas entrem, independentemente da condição de vida em que se encontrem, seja para que o Evangelho possa cruzar o limiar do templo e sair ao encontro de todos. Somos chamados a testemunhar uma Igreja que seja casa de todos.
Seremos nós capazes de comunicar o rosto duma Igreja assim? A comunicação concorre para dar forma à vocação missionária de toda a Igreja, e as redes sociais são, hoje, um dos lugares onde viver esta vocação de redescobrir a beleza da fé, a beleza do encontro com Cristo. Inclusive no contexto da comunicação, é precisa uma Igreja que consiga levar calor, inflamar o coração. O testemunho cristão não se faz com o bombardeio de mensagens religiosas, mas com a vontade de se doar aos outros «através da disponibilidade para se deixar envolver, pacientemente e com respeito, nas suas questões e nas suas dúvidas, no caminho de busca da verdade e do sentido da existência humana (Bento XVI, Mensagem para o XLVII Dia Mundial das Comunicações Sociais, 2013). Pensemos no episódio dos discípulos de Emaús. É preciso saber-se inserir no diálogo com os homens e mulheres de hoje, para compreender os seus anseios, dúvidas, esperanças, e oferecer-lhes o Evangelho, isto é, Jesus Cristo, Deus feito homem, que morreu e ressuscitou para nos libertar do pecado e da morte.
O desafio requer profundidade, atenção à vida, sensibilidade espiritual. Dialogar significa estar convencido de que o outro tem algo de bom para dizer, dar espaço ao seu ponto de vista, às suas propostas. Dialogar não significa renunciar às próprias ideias e tradições, mas à pretensão de que sejam únicas e absolutas. Possa servir-nos de guia o ícone do bom samaritano, que liga as feridas do homem espancado, deitando nelas azeite e vinho. A nossa comunicação seja azeite perfumado pela dor e vinho bom pela alegria.
A nossa luminosidade não derive de truques ou efeitos especiais, mas de nos fazermos próximo, com amor, com ternura, de quem encontramos ferido pelo caminho. Não tenhais medo de vos fazerdes cidadãos do ambiente digital. É importante a atenção e a presença da Igreja no mundo da comunicação, para dialogar com o homem de hoje e levá-lo ao encontro com Cristo: uma Igreja companheira de estrada sabe pôr-se a caminho com todos. Neste contexto, a revolução nos meios de comunicação e de informação são um grande e apaixonante desafio que requer energias frescas e uma imaginação nova para transmitir aos outros a beleza de Deus.
Vaticano, 24 de Janeiro – Memória de São Francisco de Sales – do ano 2014.

Fonte: CNBB

Formação Missionária propõe reflexão sobre a paróquia



Os desafios e avanços da vivência paroquial estão entre os assuntos em debate no Curso de Formação Missionária, que teve início no dia 17 de janeiro e prosseguirá até o dia 31, em Bacabal (MA). O evento é promovido pelo Conselho Missionário Regional (Comire) do Maranhão e recebe 63 participantes dos estados do Maranhão, Piauí e Minas Gerais, no Centro de Franciscano de Animação Missionária (Cefram).
A 22ª edição do curso traz como tema “Paróquia Missionária: rede de comunidade”. Conta com a assessoria do doutor em sociologia e mestre em Ciências da Religião, padre José Carlos Pereira, também autor do livro “Paróquia Missionária”. A proposta da formação é refletir sobre o momento atual das paróquias, na busca de novas diretrizes para a vivência em comunidade. Serão dias de partilha de experiências e estudos.
O bispo de Bacabal e referencial da Dimensão Missionária para o Regional Nordeste 5, dom Armando Martin Gutierrez, presidiu a missa de abertura do curso na comunidade Nossa Senhora do Rosário. Para ele, este é um momento para adquirir conhecimentos e de crescimento com a experiências entre os participantes.
“Muito se sonha e espera da proposta de uma paróquia missionária: rede de comunidade, mas antes de qualquer coisa, é preciso ouvir, nos preparar, a fim de se dar as devidas respostas para estes novos anseios que nos são apresentados”, disse dom Armando.

Fonte: CNBB