sábado, 15 de junho de 2019

Festas Juninas: Cultura popular e religião se misturam no festejo em todo país


“Anarriê, pula a fogueira, oia a cobra, é mentira, oia a chuva, é mentira também”. Essas são algumas das frases típicas muito usadas durante as festas juninas, que além da tradição de alegrar o povo no mês de junho, celebram a memória de três santos católicos: Santo Antônio, no dia 13 de junho, São João Batista, dia 24, e São Pedro, no dia 29. Herança religiosa portuguesa que o Brasil cultiva até hoje.

Esse foi um dos temas destacados na revista Bote Fé, da Edições CNBB, publicada no trimestre abril/junho, e traz um pouco da cultura popular e da celebração dos santos que deram origem aos festejos juninos.



É neste período que as fogueiras, comidas típicas, brincadeiras, balões, bandeirinhas e as quadrilhas tomam conta dos salões, praças e igrejas para celebrar a festa dos santos católicos. O festejo que une o religioso e a cultura popular é comemorado nos quatro cantos do país. Em cada região, a festa assume uma particularidade seja no passo da música ou na preparação das comidas. Mas, o que garante unidade do festejo é a alegria do povo.

Luiz Gonzaga ilustra muito bem esses momentos em sua música “Noites Brasileiras”: “Ai que saudades que eu sinto/ Das noites de São João/ Das noites tão brasileiras na fogueira/ Sob o luar do sertão./ Meninos brincando de roda/ Velhos soltando balão/ Moços em volta à fogueira/ Brincando com o coração/ Eita, São João dos meus sonhos/ Eita, saudoso sertão”.

O frei Mário Sérgio dos Santos Souza pároco da paróquia Santo Antônio, na arquidiocese de Feira de Santana (BA), ressalta que o tempo passa e essa expressão cultural se preserva sobretudo no Nordeste do Brasil.

“Por isso, o sertão é tão cantado, o grande flagelo da seca, os namoros ingênuos e apaixonados, os santos também, as letras com certas denúncias da fome e da miséria em que vivia esse povo, mas nunca perdeu a fé a capacidade de se divertir. São João é esperado com toda a expectativa pelos nordestinos. É a festa que marca a identidade desse povo”.

O Nordeste é a região que ainda concentra as grandes festas juninas como a de Caruaru (PE) e a de Campina Grande (PB), que é considerada o maior São João do Mundo. Dom Manoel Delson Pedreira da Cruz, arcebispo da Paraíba, destacou em artigo publicado no site da diocese Campina Grande, quando ainda era bispo de lá, que a natividade de São João Batista é comemorada pelo povo com reza, forró, quadrilhas, confraternização, comida, bebida e fogos.

“As cidades se enfeitam e se transformam em grandes arraiás. Esta alegria contagiante tem razão de ser: João Batista nasce para anunciar Jesus Cristo e apresentá-lo ao mundo. Ele está associado a esta grande alegria, que invadiu o mundo a mais de dois mil anos atrás”, ressalta o arcebispo no texto.

A fé popular se transforma em festa pela alegria e esperança do povo que celebra os festejos juninos, que agora também são julinos e até agostinos. Frei Mário Sérgio descreve sua relação vivencial com os festejos juninos: “sou nordestino, sergipano e religioso. Então, o tempo de São João é muito forte para nossa região, para as nossas famílias e para as nossas comunidades religiosas”.

Das memórias das festas juninas de sua infância, o religioso recorda-se de um fato com seu avô “Seu. Maroto”. Ele fazia busca-pé e espadas para fazer guerra com fogueteiros de outras cidades e povoados. Essa é uma tradição que era muito esperada pelo povo. “Me lembro desde o momento em que todos iam aos tabocais para escolher as tabocas para confeccionar o busca-pé. Esse processo demorava meses”, lembra.

Brasília (DF) por ser uma cidade que congrega pessoas de todas as regiões do país também tem tradição junina com a realização do “Maior São João do Cerrado” que acontece na capital do país sempre em agosto. “O São João é festa de dentro para fora, que se aconchega na lida do povo, celebra um Brasil profundo, abarrotado de histórias, fulejo, audácia e fé”, destaca Edilane Oliveira, produtora do Maior São João do Cerrado.

Edilane ressalta ainda que os festejos juninos além da difusão de costumes e da cultura regional, representam fonte significativa para o desenvolvimento econômico e sociocultural das regiões em que ocorrem com maior intensidade, movimentando a economia e o turismo nacional.

Fonte: CNBB

sexta-feira, 14 de junho de 2019

CNBB publica as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023


  • A Conferência Nacional dos Bispos Brasil (CNBB) acaba de publicar, por meio da Edições CNBB, as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) para o quadriênio 2019 – 2023.  A publicação integra a série Documentos da CNBB sob o nº 109. Trata-se do principal documento que o episcopado brasileiro aprovou durante a sua 57ª Assembleia Geral, realizada em Aparecida (SP), de 1º a 10 de maio.

  • Para o quadriênio 2019-2023, as diretrizes foram estruturadas a partir da concepção da Igreja como “Comunidade Eclesial Missionária”, apresentada com a imagem da “casa”, “construção de Deus” (1Cor 3,9). Em tudo isso, as Diretrizes – aprovadas pelos bispos do Brasil– convidam todas as comunidades de fé a abraçarem e vivenciarem a missão como escola de santidade.

  • Na apresentação da publicação, a presidência da CNBB ressalta que as diretrizes são o caminho encontrado para responder aos desafios do Brasil, “um país que, na segunda década deste século XXI, experimenta grandes transformações em todos os sentidos”. A introdução da publicação defende que as diretrizes constituem uma das expressões mais significativas da colegialidade e da missionariedade da Igreja no Brasil.

  • O Documento nº 109, de 93 páginas, é organizado em quatro capítulos. No primeiro, cujo título é o “Anúncio do Evangelho de Jesus Cristo”, o texto aprofunda os desafios do contexto urbano e o papel das comunidades eclesiais missionárias neste contexto. O capítulo 2,  fala do “O olhar dos discípulos missionários” sobre os desafios presentes na cidade.

  • O terceiro capítulo, “A Igreja nas Casas”, apresenta a ideia de casa, entendida como “lar” para os seus habitantes, acentua as perspectivas pessoal, comunitária e social da evangelização, inserindo no espírito da Laudato Si’, a perspectiva ambiental. Essa casa é a comunidade eclesial missionária que, por sua vez, é sustentada por quatro pilares: Palavra, Pão, Caridade e Ação Missionária. O quarto capítulo, cujo título é “A Igreja em Missão” apresenta encaminhamentos práticos de ação para cada um dos pilares.

  • A publicação pode ser adquirida no blog da Edições CNBB no link: www.edicoescnbb.com.br

  • Fonte: CNBB

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Nota da CNBB sobre julgamento no STF a respeito da criminalização da homofobi


Nota da CNBB sobre julgamento no STF a respeito da criminalização da homofobia



A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu nesta quarta-feira, 12 de junho, nota sobre o julgamento em curso no Supremo Tribunal Federal a respeito da criminalização da homofobia. “Em diálogo com os setores da sociedade que buscam fortalecer a punição para os casos de homofobia, a Igreja pede clareza nos processos em curso no Judiciário e Legislativo”, afirma a CNBB.

E acrescenta: “a liberdade religiosa, que pressupõe o respeito aos códigos morais com raízes na fé, deve ser compatibilizada com as decisões judiciais relacionadas à criminalização da homofobia. A doutrina religiosa não semeia violência, mas, ao contrário, partilha um código de condutas que promove a defesa da vida. Informar e orientar os fiéis sobre o matrimônio, aconselhá-los em questões relacionadas à família e à conduta pessoal não pode ser considerado ofensa contra pessoa ou grupo”.

Leia a nota na íntegra:

Nota da CNBB

A Igreja Católica, especialmente por sua Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, historicamente, é defensora incondicional da vida, desde a sua concepção até a morte natural. Nesse sentido, é contrária a qualquer ato de violência. Atentados contra a vida merecem a mais severa condenação por parte de toda a sociedade civil e, principalmente, das autoridades devidamente constituídas.

Dedicamos a nossa atenção ao julgamento, em curso, no Supremo Tribunal Federal, da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO 26) e do trâmite no Senado Federal do Projeto de Lei 672/2019 para alterar a Lei 7.716/1989. Nosso posicionamento é alicerçado em princípios ético morais que defendem o respeito a todos, sem distinções.



O Magistério da Igreja indica o acolhimento solidário e respeitoso, evitando-se todo sinal de discriminação. Isto não significa se omitir ou negar o que ensina a sua doutrina: o matrimônio é a união entre o homem e a mulher, com a possibilidade de gerar vida. Nesse sentido, em diálogo com os setores da sociedade que buscam fortalecer a punição para os casos de homofobia, a Igreja pede clareza nos processos em curso no Judiciário e Legislativo: a liberdade religiosa, que pressupõe o respeito aos códigos morais com raízes na fé, deve ser compatibilizada com as decisões judiciais relacionadas à criminalização da homofobia. A doutrina religiosa não semeia violência, mas, ao contrário, partilha um código de condutas que promove a defesa da vida. Informar e orientar os fiéis sobre o matrimônio, aconselhá-los em questões relacionadas à família e à conduta pessoal não pode ser considerado ofensa contra pessoa ou grupo.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) confia e espera que as autoridades do Judiciário e do Legislativo, cônscios de suas responsabilidades, trabalhem, de modo adequado, dedicando-se, com profundidade, a essa questão que exige também ouvir diferentes perspectivas. Um tema tão delicado e complexo exige ser tratado pelo amplo diálogo e pela reflexão de toda a sociedade. Assim, é possível contribuir para promover a harmonia social em uma sociedade que precisa superar as polarizações. Assegurar cada vez mais a integridade do cidadão, a partir do respeito fraterno que todo ser humano deve cultivar em relação a seu semelhante. Esse compromisso requer irrestrito respeito a princípios morais e religiosos intocáveis.

Em espírito de comunhão e serviço, a CNBB quer colaborar para que se encontre o caminho necessário para vencer injustiças e perseguições – a violência contra o ser humano, que inclui também o desrespeito à liberdade religiosa e aos valores do Evangelho de Jesus Cristo, “ caminho, verdade e vida”.



Brasília, 12 de junho de 2019.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo de Belo Horizonte – MG

Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler, OFM

Arcebispo de Porto Alegre – RS

1º Vice-Presidente da CNBB

Dom Mário Antônio da Silva

Bispo de Roraima – RR

2º Vice-Presidente da CNBB

Dom Joel Portella Amado

Bispo Auxiliar de S. Sebastião do Rio de Janeiro – RJ

Secretário-Geral da CNBB
Fonte: CNBB

terça-feira, 11 de junho de 2019

Papa Francisco: A salvação não se compra, Deus nos salva de graça

Durante a Missa celebrada nesta terça-feira, 11 de junho, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco recordou que “a salvação não se compra”, mas que Deus “nos dá gratuitamente”.
Em sua homilia, o Santo Padre refletiu sobre a passagem do Evangelho de São Mateus da liturgia do dia, que indica a importância da gratuidade: “De graça recebestes, de graça deveis dar”.
Neste sentido, o Papa Francisco destacou de fato que Deus “nos salva gratuitamente", "não nos faz pagar”, por isso, do mesmo modo como Ele faz conosco, “devemos fazer com os outros”. “É uma das coisas mais belas”, expressou o Pontífice.
“Saber que o Senhor é cheio de dons para nos dar. Somente, pede uma coisa: que o nosso coração se abra. Quando dizemos ‘Pai nosso’ e rezamos, abrimos o coração para que esta gratuidade venha”, explicou o Papa.
Por isso, destacou que “não há relação com Deus fora da gratuidade” e comentou que, às vezes, quando “precisamos de algo espiritual ou de uma graça, dizemos: ‘Bem, agora vou jejuar, vou fazer uma penitência, vou fazer uma novena...’. Certo, mas tenham cuidado: isto não é para pagar pela graça, para adquirir graça; isto é para ampliar seu coração para que a graça possa vir. A graça é gratuita”, reiterou.

Além disso, o Papa Francisco refletiu sobre a missão dos cristãos que implica uma “vida de serviço”, como Jesus explica nesta passagem do Evangelho de São Mateus: “Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios”.
“A vida cristã é para servir. É muito triste quando encontramos cristãos que, no início da sua conversão ou da sua consciência de serem cristãos, servem, estão abertos a servir, servem o povo de Deus, e depois acabam usando o povo de Deus”, advertiu o Papa, assegurando que “isto faz tanto mal, tanto mal ao povo de Deus. A vocação é para ‘servir’, não para ‘usar’”.
Neste sentido, o Santo Padre fez um chamado aos pastores da Igreja para que continuem a doar sua vida gratuitamente.
“Na nossa vida espiritual temos sempre o perigo de escorregar no pagamento, sempre, mesmo falando com o Senhor, como se quiséssemos dar um suborno ao Senhor”, alertou o Papa.
Por isso, Francisco exclamou com força que esse não é o caminho: “‘Senhor, se me fizeres isto, eu dou-te isto’, não. Eu faço essa promessa, mas isso alarga meu coração para receber o que está lá, gratuito para nós”, explicou.
Deste modo, o Papa concluiu que “esta relação de gratuidade com Deus é a que nos ajudará depois a tê-la com os outros, seja no nosso testemunho cristão seja no serviço cristão e na vida pastoral daqueles que são pastores do povo de Deus. No caminho. A vida cristã é caminhar. Pregar, servir, não ‘fazer uso de’. Sirvam e deem de graça o que receberam de graça”.
Fonte: Acidigital

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Papa: “O Espírito Santo é aquele que nos acompanha na vida, que nos sustenta”


Papa: “O Espírito Santo é aquele que nos acompanha na vida, que nos sustenta”

O Espírito Santo é o protagonista da passagem do Evangelho proposta na liturgia da missa, desta terça-feira, 28 de maio, celebrada pelo papa Francisco na Capela da Casa Santa Marta. “No discurso de despedida aos discípulos antes de subir ao Céus, Jesus”, disse o papa em sua homilia, “nos faz uma verdadeira catequese sobre o Espírito Santo”. Jesus nos explica quem ele é. Os discípulos ficaram tristes ao ouvir que Jesus os deixará e Jesus os repreende por isso. Francisco afirmou: “Não, a tristeza não é um comportamento cristão”. Mas como não ficar triste? “Contra a tristeza, na oração, pedimos ao Senhor para que guarde em nós a juventude renovada do espírito”. Aqui, entra em jogo o Espírito Santo porque é Ele que faz com que haja em nós essa juventude que nos renova sempre.

O coração do cristão é jovem

O papa citou uma santa que dizia: “Um santo triste é um triste santo”. “Portanto, um cristão triste é um triste cristão e isso não é bom. A tristeza não entra no coração do cristão, porque ele é jovem”, prosseguiu Francisco. O Espírito Santo é aquele que nos torna capazes de carregar as cruzes. O Pontífice citou o exemplo de Paulo e Silas que na prisão cantavam hinos a Deus, conforme a primeira leitura de hoje, extraída do Livro dos Atos dos Apóstolos.

O Espírito Santo renova todas as coisas. “O Espírito Santo é aquele que nos acompanha na vida, que nos sustenta. É o Paráclito”, frisou o papa. “Mas que nome estranho”, disse Francisco, recordando que numa missa para crianças, num domingo de Pentecostes, ele perguntou se elas sabiam quem fosse o Espírito Santo. E um menino lhe respondeu: o paralítico.

Muitas vezes nós pensamos que o Espírito Santo é um paralítico, que não faz nada… Pelo contrário, é aquele que nos sustenta. Paráclito: a palavra paráclito significa “aquele que está ao meu lado para me apoiar”, para que eu não caia, para que eu vá adiante, para que eu conserve essa juventude do Espírito. O cristão é sempre jovem: sempre. Quando o coração do cristão começa a envelhecer, a sua vocação de cristão começa a diminuir. Ou você é jovem de coração e de alma ou você não é cristão.

Francisco prosseguiu, dizendo que na vida haverá dor. Paulo e Silas foram acoitados e sofreram, “mas estavam cheios de alegria, cantavam…”. Isso é juventude. Uma juventude que faz você olhar sempre a esperança. É isso, avante! Mas, para ter essa juventude é necessário um diálogo cotidiano com o Espírito Santo, que está sempre ao nosso lado. É o grande presente que Jesus nos deixou: esse apoio, o que faz a gente seguir em frente.

O pecado envelhece a alma

Mesmo que sejamos pecadores, o Espírito nos ajuda a nos arrepender e nos faz olhar para frente. “Fale com o Espírito”, disse o papa. “Ele apoiará você e lhe dará novamente a juventude”. O pecado, por outro lado, envelhece: “Envelhece a alma, envelhece tudo”. Francisco sublinhou ainda: “Jamais esta tristeza pagã”. Na vida há momentos difíceis, mas nesses momentos “sentimos que o Espírito nos ajuda a ir em frente (…) e a superar as dificuldades. Até mesmo o martírio”. E o papa concluiu: Peçamos ao Senhor para não perder esta juventude renovada, para não ser cristãos aposentados que perderam a alegria e se deixam conduzir… O cristão nunca se aposenta, o cristão vive, vive porque é jovem, quando é cristão verdadeiro.



Solenidade de Pentecostes

Na Solenidade de Pentecostes, 09 de junho, o papa Francisco presidiu a Celebração Eucarística na Praça São Pedro, na presença de milhares de peregrinos. Confira sua homilia na íntegra.
Por Adriana Masotti /Cidade do Vaticano
Fonte: CNBB