quinta-feira, 22 de junho de 2023
segunda-feira, 6 de setembro de 2021
EM ARTIGO NA FOLHA, ORGANIZAÇÕES DO PACTO PELA VIDA E PELO
BRASIL DEFENDEM QUE A APROPRIAÇÃO DO DIA DA PÁTRIA POR OBSTINADOS EM SEMEAR
DIVISÕES MERECE REPÚDIO
Nação, essa teia que nos une
7 de setembro de 2021. Momento crucial para refletir sobre o
fortalecimento da democracia, em prol de uma sociedade livre, justa e
solidária.
Lançando um olhar sobre o Brasil, vemos a data nacional
envolvida em ataques extremistas às instituições e rumores de ruptura da ordem.
Num plano mais abrangente, poderíamos perguntar o que há para ser celebrado com
quase 600 mil mortos pelo coronavírus, 15 milhões de desempregados, 19 milhões
de brasileiros passando fome, 5 milhões de crianças fora da escola, recordes de
desmatamento e aumento acentuado da desigualdade. Diante de tantas tristes
marcas, cabe indagar: como defender e levar adiante este projeto que é de
todos, chamado nação?
Há dois séculos juntaram-se as condições objetivas e
subjetivas para que o Brasil assumisse o seu destino, supostamente sob o brado
de “independência ou morte”. Mas foi a disposição coletiva, mais do que o grito
solitário do monarca, que nos impulsionou a seguir adiante, consolidando a
independência e inaugurando um projeto nacional.
A nação, como conceito, tem a ver com essa teia de
afinidades —históricas, culturais, linguísticas e sociais— que só ganha sentido
se compreendida como a união generosa e inclusiva entre pessoas, tomadas como
sujeitos plenos de direitos e tratadas com igual respeito e consideração. E é
justamente o que nos impulsiona a seguir juntos, do jeito que somos, de onde
viemos, para onde queremos ir, no sentimento de pertencer a algo que é base da
identidade nacional.
Hoje, a apropriação da nossa data cívica por indivíduos
obstinados em semear divisões entre os brasileiros, disseminando o ódio e a
intranquilidade para dar passagem a um projeto político de viés personalista,
declaradamente autoritário, deve ser repudiada por toda a sociedade. Porque
essa apropriação não cabe, e jamais caberá, no projeto de nação que está
inscrito na Constituição, tecido por mulheres e homens de todas as raças e
todas as crenças, geração após geração. A nação, aos seus, pertence.
Sabemos que governos vêm e passam. Governantes podem entrar
para a história pela porta da frente, como servidores do seu povo, ou sair pela
porta dos fundos, como demolidores do futuro. Mas, a nação, essa deverá se
manter como um projeto coletivo, visando o bem comum. Por isso, em nome das
nossas entidades, conclamamos os brasileiros a fortalecer a teia de afinidades
que nos irmana e, ao mesmo tempo, nos distingue no mundo. Que isso seja feito
através do diálogo construtivo, na garantia plena dos direitos humanos, no
respeito à diversidade, no acolhimento aos mais vulneráveis, na preservação do
meio ambiente, que é nosso patrimônio comum, e no compromisso com os valores
civilizatórios, sempre em defesa da dignidade humana.
As vozes que saem a pregar a discórdia, muitas vezes
enganadas ou insufladas por indivíduos guiados apenas pela ambição de poder,
tentarão fomentar o caos para justamente esgarçar a teia tão rica que nos une.
Que a consciência moral da sociedade prevaleça, mostrando-lhes que uma nação
livre e soberana é fruto da convivência humana em clima de paz, respeito e
harmonia. Esse é, e sempre será, o verdadeiro brado da brava gente brasileira.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB)
Felipe Santa Cruz
Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
José Carlos Dias
Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom
Paulo Evaristo Arns – Comissão Arns
Luiz Davidovich
Presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC)
Paulo Jeronimo de Sousa
Fonte:CNBB
segunda-feira, 16 de agosto de 2021
Solenidade da Assunção: A Virgem Maria morreu? Padre Fortea responde
No marco da celebração da Solenidade da Assunção, muitos
fiéis se perguntam se Santa Maria faleceu ou não antes de ser levada ao céu. O
famoso teólogo espanhol José Antonio Fortea responde a esta inquietude.
Em sua constituição apostólica ‘Munificentissimus Deus’, o
papa Pio XII definiu ‘ex cathedra’ o dogma da Assunção de Santa Maria.
Nesse documento, o papa disse que "a Imaculada Mãe de
Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta
em corpo e alma à glória celestial".
"Se alguém, o que Deus não permita, ousar,
voluntariamente, negar ou pôr em dúvida esta nossa definição, saiba que
naufraga na fé divina e católica", acrescentou.
Entretanto, o documento pontifício não especifica se Santa
Maria morreu.
Em declarações ao Grupo ACI, padre Fortea explicou que a
ambiguidade na constituição apostólica "não foi coincidência, foi
expressamente desejada".
O dogma da fé, sublinhou, "é somente a Assunção".
O sacerdote espanhol, doutor em Teologia, recordou que na
história da Igreja "havia fundamentalmente duas tradições" sobre os
últimos dias de Santa Maria na terra.
Por um lado, disse, os cristãos orientais "falavam da
dormição da Virgem Maria. No Ocidente, não havia tanto essa tradição no
princípio. Algumas pessoas afirmavam que ela havia dormido. Outros não, diziam
que ela havia morrido".
"Como não havia unanimidade nesse tema e o que os
dogmas expressam é a fé", disse, no final, "optaram por deixá-lo de
maneira ambígua".
"A Igreja não se opôs às pessoas que disseram uma coisa
nem às que disseram outra, sem chegar nunca a esclarecer o tema",
sublinhou.
O papa Pio XII, diante da disputa teológica, "optou por
usar um termo ambíguo".
Etiquetas: Assunção, Assunção da Virgem Maria, dogmas, Padre
Antonio Fortea, Pe. Fortea, Solenidade da Assunção de Maria, Virgem Maria
terça-feira, 13 de julho de 2021
“PANDEMIA AGRAVA A FOME NO MUNDO” ALERTA O RELATÓRIO DAS ORGANIZAÇÕES DAS NAÇÕES UNIDAS
Cerca de um décimo da população mundial sofre de desnutrição, ou seja, quase 811 milhões de pessoa. É o que revela o relatório “Situação da segurança alimentar e da nutrição no mundo” elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Programa Mundial de Alimentos (PMA) e Organização Mundial da Saúde (OMS), e divulgado nesta segunda-feira, 12. O agravamento dramático da situação da fome em 2020 está diretamente relacionado às consequências da pandemia de Covid-19.
Mesmo que ainda não se tenha um mapa detalhado do impacto da pandemia, o relatório representa a primeira avaliação global desse tipo na era da pandemia, e revela, entre outros, que o continente africano registra o maior aumento de famintos e desnutridos, enquanto o mundo de forma geral passa por uma fase crítica e deve agir agora para reverter essa tendência até 2030. Além disso, mais de 2,3 bilhões de pessoas – o equivalente a 30% da população mundial – não teve acesso contínuo a recursos alimentares adequados durante o ano.
Para agravar a situação, em 2020 havia mais de 149 milhões de crianças menores de cinco anos com atraso no crescimento (muito baixas para a idade), mais de 45 milhões de crianças debilitadas (muito magras para a altura) e cerca de 39 milhões com excesso de peso. Três bilhões de adultos e crianças não conseguiram ter acesso a uma dieta saudável.
As edições anteriores já haviam dado o sinal de alerta, sinalizando que a segurança alimentar de milhões de pessoas, incluindo muitas crianças, estava em risco. “Infelizmente, a pandemia continua a trazer à tona as deficiências de nossos sistemas alimentares, carências que ameaçam a vida e a subsistência de muitas pessoas em todo o mundo”, escrevem os responsáveis pelas cinco agências da ONU no prefácio do relatório.
Eles também advertem que estamos em uma “fase crítica”, mas colocamos novas esperanças em um renovado impulso diplomático. “Este ano temos uma oportunidade sem precedentes de realizar progressos na segurança alimentar e nutricional por meio da transformação dos sistemas alimentares, graças à Cúpula das Nações Unidas sobre Sistemas Alimentares, à Cúpula Nutrição para o Crescimento e à COP26 sobre mudanças climáticas”, que será realizada em breve. “O resultado desses eventos”, acrescentam, “continuará a moldar a segunda metade da Década de Ação das Nações Unidas sobre a Nutrição, um compromisso político global que ainda não atingiu sua velocidade de cruzeiro.
Os dados
Já em meados da década de 2010, a fome havia começado a aumentar, destruindo as esperanças de um declínio irreversível. A levantar preocupação foi, em 2020, o seu aumento repentino em termos absolutos e proporcionais, que superou o crescimento populacional: segundo estimativas, os subnutridos representavam cerca de 9,9% da população mundial no ano passado, contra 8,4% em 2019.
Mais da metade de todas as pessoas subnutridas (418 milhões) vivem na Ásia, mais de um terço (282 milhões) vivem na África e uma parcela menor (60 milhões) na América Latina e no Caribe. No entanto, a fome aumentou especialmente na África, onde a prevalência da desnutrição é estimada em mais de duas vezes a de qualquer outra região (21% da população).
2020 também foi um ano negativo no que tange a outros parâmetros. Mais de 2,3 bilhões de pessoas (o equivalente a 30% da população mundial) não tiveram acesso contínuo durante o ano a recursos alimentares adequados. Tal indicador, conhecido como “prevalência de insegurança alimentar moderada ou grave”, cresceu em apenas um ano tanto quanto nos cinco anos anteriores, considerados na sua totalidade. A desigualdade de gênero se acentuou: em 2020, a insegurança alimentar afetou 11 mulheres para cada 10 homens (um aumento em comparação com 10,6 em 2019).
A desnutrição em todas as suas formas não foi erradicada. Foram principalmente as crianças que pagaram por isso: de acordo com as estimativas, em 2020 havia mais de 149 milhões de crianças menores de cinco anos com atraso no crescimento (muito baixas em comparação com a idade, mais de 45 milhões de crianças debilitadas (muito magras para a altura) e cerca de 39 milhões com excesso de peso.
Até três bilhões de adultos e crianças não puderam ter acesso a uma dieta saudável, em grande parte devido aos custos excessivos. Cerca de um terço das mulheres em idade reprodutiva sofre de anemia. No total, apesar dos progressos realizados em alguns âmbitos (por exemplo, aumentou o número de recém-nascidos amamentados exclusivamente no peito), o mundo não está acompanhando o ritmo necessário para cumprir as metas estabelecidas para os diversos indicadores nutricionais até 2030.
Outras causas da fome e desnutrição
Em muitas regiões do mundo, a pandemia causou recessões devastadoras e prejudicou o acesso aos alimentos. No entanto, antes mesmo da pandemia, a fome já estava em aumento e se registravam poucos progressos no combate à desnutrição, especialmente em países em meio a conflitos, eventos climáticos extremos ou outras dificuldades econômicas, ou em meio a profundas desigualdades. O relatório inclui todos esses fatores entre as principais causas da insegurança alimentar, que interagem entre si.
Quanto às tendências atuais, o Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo calcula que o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2 (Fome Zero até 2030) não será alcançado por uma diferença de quase 660 milhões de pessoas; para cerca de 30 milhões delas, o motivo poderia estar ligado aos efeitos duradouros da pandemia.
O que ainda é possível fazer
Conforme descrito no relatório do ano passado, transformar os sistemas alimentares é essencial para alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e tornar uma dieta saudável acessível para todos. A edição deste ano dá um passo em frente ao delinear seis “caminhos de transformação” que, segundo os autores, baseiam-se em um “conjunto coerente de políticas e investimentos” para combater as causas da fome e da desnutrição.
Segundo o específico fator causal (ou da combinação específica de fatores causais) que cada país enfrenta, o relatório insta os formuladores de políticas a:
– Integrar políticas humanitárias, de desenvolvimento e de construção da paz em zonas de conflito, por exemplo, por meio de medidas de proteção social destinadas a evitar que as famílias sejam forçadas a vender seus poucos bens em troca de alimentos;
· Fortalecer a resiliência às mudanças climáticas nos sistemas alimentares, por exemplo, oferecendo aos pequenos agricultores amplo acesso a apólices de seguro contra riscos climáticos e financiamento baseado em previsões;
· Fortalecer a resiliência das pessoas mais vulneráveis nas conjunturas econômicas adversas, por exemplo, por meio de programas de apoio em dinheiro ou em espécie com o objetivo de mitigar o impacto de choques como pandemias ou a volatilidade dos preços dos alimentos;
· Intervir ao longo das cadeias de abastecimento para reduzir o custo dos alimentos nutritivos, por exemplo, incentivando o cultivo de variedades bio-fortificadas ou facilitando o acesso dos produtores de frutas e vegetais aos mercados;
· Combater a pobreza e as desigualdades estruturais, por exemplo, relançando as cadeias de valor de alimentos em comunidades pobres por meio de transferências de tecnologia e programas de certificação;
Fortalecer “ambientes alimentares” e mudar o comportamento dos consumidores, por exemplo, eliminando ácidos graxos trans de origem industrial e reduzindo o teor de sal e açúcar na dieta, ou protegendo crianças e jovens do impacto negativo do marketing dos produtos alimentares.
Os autores do relatório também fazem votos de um “contexto propício de instituições e mecanismos de governança” que tornem possível a transformação. Eles exortam os responsáveis das políticas para realizarem amplas consultas, promoverem o empoderamento das mulheres e jovens e aumentarem a disponibilidade de dados e novas tecnologias. Mas, acima de tudo, alertam os autores, o mundo deve agir agora; caso contrário, as causas da fome e da desnutrição se repetirão com intensidade crescente nos próximos anos, mesmo muito depois de termos superado a crise da pandemia.
Com informações e foto: VaticanNews
segunda-feira, 20 de julho de 2020
Solicitam dispensa dos 5 anos para início do processo de beatificação de Dom Henrique
Pouco após o falecimento de Dom Henrique Soares da Costa, vítima de Covid-19, milhares de pessoas pediram que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) solicite ao Vaticano a dispensa dos 5 anos para o início do processo de beatificação do Prelado.
O Bispo de Palmares (PE) morreu no último sábado, 18 de julho, e seu falecimento gerou grande comoção entre os fiéis que acompanhavam seu apostolado, sobretudo na internet. Diversas foram as mensagens de pesar, bem como de solidariedade aos familiares e à Diocese do Prelado.
Entre as iniciativas que surgiram logo após a divulgação da notícia de que Dom Henrique havia falecido está a petição lançada na plataforma CitizenGo com a “solicitação de dispensa para abertura do processo de beatificação de Dom Henrique Soares da Costa”.
“A Santa Igreja Católica no Brasil perdeu um dos maiores nomes do seu episcopado recente, Dom Henrique Soares da Costa. Vítima de COVID19 faleceu em odor de santidade! Os católicos de todos os rincões do Brasil e até mesmo do exterior ao saber de sua morte exclamam como na perda de São João Paulo II: Santo Subito!”, afirma o texto da petição, que já conta com cerca de 41.560 assinaturas.
Nesse sentido, indica, “solicitamos ao Regional Nordeste II da CNBB e do Conselho Permanente desta instituição que solicitem ao Santo Padre, o Papa Francisco, a dispensa dos 05 anos para apresentação do libelo de demanda (supplex libellus) isto é, a petição escrita, com a qual pede o início da causa de beatificação”.
“Nós, Igreja do Brasil, suplicamos aos nossos pastores que olhem para a súplica dos fiéis e que solicitem ao Vigário de Cristo a abertura do processo de beatificação, e que Dom Henrique do Céu e honrado em nossos altares seja o grande intercessor diante de Deus por todos os acometidos por este vírus e por todos aqueles que amam a Igreja de Cristo”, completa.
Pai e Pastor
Dom Henrique Soares da Costa tinha 57 anos, é natural de Penedo (AL) e foi ordenado sacerdote para a Arquidiocese de Maceió em 15 de agosto de 1992. Em 2009, foi nomeado pelo Papa Bento XVI como Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Aracaju (SE) e, em 2014, o Papa Francisco o nomeou Bispo da Diocese de Palmares (PE).
“Nestes seis anos conduzindo o Povo de Deus da Diocese de Palmares, Dom Henrique sempre esteve junto ao seu clero sendo como ele mesmo afirmava: ‘Pai e Pastor’”, afirma nota da Diocese de Palmares.
O Prelado desenvolvia um apostolado por meio da internet, com reflexões, meditações, formação, alcançando milhares de pessoas em todo o Brasil e no mundo.
Durante homilia no último domingo, ao recordar o Prelado, de quem era amigo, Pe. Paulo Ricardo assinalou como o falecimento de Dom Henrique comoveu muitas pessoas, citando uma frase que foi dita por um sacerdote que não conheceu o Bispo pessoalmente, o qual afirmou: “Eu me sinto órfão, arrancaram-me um pai”.
“Ao dizer isso, penso que estou dizendo o sentimento de muitos no Brasil, porque Dom Henrique tinha um frutuoso, fecundo apostolado na internet. Ele tinha essa vocação também de escritor”, assinalou o sacerdote.
Para assinar a solicitação de dispensa para abertura do processo de beatificação de Dom Henrique Soares da Costa, acesse AQUI.
Fonte:Acidigital
domingo, 28 de junho de 2020
Papa Francisco: "O amor a Jesus exige um amor pelos pais e pelos filhos"
O Papa Francisco afirmou que os interesses familiares ou pessoais não podem ser colocados na frente dos interesses do bem comum, ao mesmo tempo em que recorda que "o verdadeiro amor a Jesus exige um amor verdadeiro pelos pais, pelos filhos ".
O Pontífice realizou esse ensinamento no domingo, 28 de junho, durante a oração do Ângelus na Praça de São Pedro, no Vaticano.
Francisco explicou que o Evangelho deste domingo, de São Mateus, "expressa fortemente o convite a viver plenamente e sem hesitação a nossa adesão ao Senhor".
Na narração evangélica, "Jesus pede aos seus discípulos que levem a sério as exigências do Evangelho, mesmo quando isto requer sacrifício e esforço”, explicou o Pontífice.
“O primeiro pedido exigente que Ele faz àqueles que O seguem é que coloquem o amor a Ele acima dos afetos familiares. Ele diz: ‘Quem ama o pai ou a mãe, [...] o filho ou a filha mais do que a mim, não é digno de mim’”, são palavras que podem ser duras, mas o Papa explicou seu significado.
Ele assinalou que "Jesus não pretende certamente subestimar o amor pelos pais e filhos, mas sabe que os laços de parentesco, se forem postos em primeiro lugar, podem desviar-se do verdadeiro bem".
"Vemos algumas corrupções nos governos. Elas ocorrem porque o amor pelo parentesco é maior que o amor pela pátria e eles colocam os parentes no comando".
“Todos nós poderíamos dar muitos exemplos a este respeito. Sem mencionar as situações em que os afetos familiares se misturam com escolhas opostas ao Evangelho", assegurou.
Quando, pelo contrário, "o amor pelos pais e filhos é animado e purificado pelo amor ao Senhor, então torna-se plenamente fecundo e produz frutos de bem na própria família e muito para além dela".
“Nesse sentido, Jesus diz essa frase. Recordamos como Jesus repreende os doutores da lei que fazem com que os pais não tenham o necessário com a pretensão de entregá-lo ao altar, de entregá-lo à Igreja. Ele os repreende! O verdadeiro amor a Jesus exige um amor verdadeiro pelos pais, pelos filhos, mas primeiro buscamos o interesse familiar, isso sempre leva a um caminho errado”.
Depois, na leitura do Evangelho, Jesus diz a seus discípulos que "quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim".
O Papa Francisco destacou que, com esta frase, Jesus convida “a segui-lo pelo caminho que ele próprio percorreu, sem procurar atalhos. Não há amor verdadeiro sem cruz, ou seja, sem um preço a pagar pessoalmente. Que o digam muitas mães, muitos pais que se sacrificam muito pelo filho e carregam verdadeiros sacrifícios, cruzes, mas porque amam”.
"Carregada com Jesus, a cruz não é assustadora, porque Ele está sempre ao nosso lado para nos apoiar na hora da provação mais dura, para nos dar força e coragem. Também não é necessário preocupar-se por preservar a própria vida, com uma atitude temerosa e egoísta".
O Papa comentou uma terceira frase de Jesus: “Quem procura conservar a própria vida, vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de mim, a encontrará”.
"Este é o paradoxo do Evangelho", explicou. “Mas temos, graças a Deus, também muitos exemplos como este. vemos isso hoje nesses dias. Quantas pessoas, quantas pessoas, estão carregando cruzes para ajudar os outros, se sacrificam para ajudar os que precisam nesta pandemia".
“Mas, sempre com Jesus, é possível fazer. A plenitude da vida e da alegria é encontrada através da doação de si mesmo pelo Evangelho e pelos irmãos, com abertura, aceitação e benevolência”.
Dessa maneira, “podemos experimentar a generosidade e gratidão de Deus. Jesus nos lembra disso: ‘Quem recebe a vocês, recebe a mim [...]. Quem der ainda que seja apenas um copo de água fria a um desses pequeninos [...] não perderá a sua recompensa'".
“A gratidão generosa de Deus Pai leva em consideração até o menor gesto de amor e serviço prestado aos irmãos. Nesses dias, ouvi um sacerdote que ficou comovido porque uma criança se aproximou dele na paróquia e disse: “Padre, estas são as minhas economias; pouca coisa. É para os seus pobres, para aqueles que precisam hoje por causa da pandemia”. Coisa pequena, mas uma coisa grande”.
"É uma gratidão contagiosa, que ajuda cada um de nós a sentir gratidão por aqueles que se preocupam com as nossas necessidades".
Por esse motivo, convidou a que “quando alguém nos oferece um serviço, não devemos pensar que tudo nos é devido. Não. Muitos serviços são feitos gratuitamente. Pensem no voluntariado, que é uma das maiores coisas que a sociedade italiana tem. Os voluntários! Quantos deles perderam a vida nessa pandemia. Isso é feito por amor, simplesmente para o serviço”.
“A gratidão, o reconhecimento, é antes de tudo um sinal de boa educação, mas é também um distintivo do cristão. É um sinal simples mas genuíno do reino de Deus, que é o reino do amor gratuito e reconhecido", concluiu o Papa Francisco.
Acidigital
quinta-feira, 28 de maio de 2020
Dom Orani enviará em junho protocolo para reabertura das igrejas no Rio
quinta-feira, 30 de abril de 2020
Hoje é celebrado São Pio V, o pastor que liderou a Igreja com auxílio de Maria
segunda-feira, 6 de abril de 2020
Secretário de Estado do Vaticano espera que igrejas reabram o mais breve possível
Em uma entrevista publicada em 2 de abril no Vatican News, o Cardeal Parolin também disse que estava preocupado com as notícias de católicos que morriam sem o sacramento da Unção dos Enfermos e expressou sua preocupação com o impacto da doença nos países pobres.
“A suspensão das celebrações fez-se necessária para evitar aglomerações. Mas em quase todas as cidades as igrejas permanecem abertas e eu espero que sejam reabertas o mais breve possível aquelas que foram fechadas: ali está a presença de Jesus Eucaristia, os sacerdotes continuam a rezar e celebrar a Santa Missa pelos fiéis impossibilitados de ali participar. É belo pensar que a porta da casa de Deus permanece aberta, como estão abertas as portas de nossas casas, ainda que somos fortemente convidados a não sair, a não ser por motivos de força maior”, disse o Purpurado.
Da mesma forma, reconheceu o sofrimento dos católicos que atualmente estão privados dos sacramentos por cumprir a quarentena. "Compartilho sua dor, mas ao mesmo tempo gostaria de recordar, por exemplo, da possibilidade da comunhão espiritual", expressou.
“O Papa Francisco, ademais, por meio da Penitenciária Apostólica, concedeu o dom de especiais indulgências aos fiéis, não somente aos afetados pelo Covid-19, mas também aos profissionais de saúde, aos familiares e a todos aqueles que, de diversas maneiras, também com a oração, cuidam deles", afirmou.
O Secretário de Estado pediu para “rezar com a Palavra de Deus; Ler, contemplar acolher a Palavra que vem", porque "Deus preencheu com sua Palavra o vazio que nos assusta nessas horas".
“Em Jesus, Deus se comunicou, Palavra plena e definitiva. Não devemos simplesmente preencher o tempo, mas nos encher com a Palavra", acrescentou.
Por outro lado, o Cardeal disse que estava preocupado com as histórias de católicos morrendo sozinhos sem o consolo dos sacramentos.
“É uma das consequências da epidemia que, em certo sentido, me abala. Eu li e ouvi histórias dramáticas e comoventes. Quando, infelizmente, não é possível a presença do sacerdote ao lado de alguém que está à beira da morte, todo batizado e toda batizada podem rezar e levar consolo, em virtude do sacerdócio comum recebido com o Sacramento do Batismo", disse.
"É belo e evangélico imaginar neste momento difícil que, de alguma forma ou outra, também as mãos dos médicos, dos enfermeiros, dos agentes de saúde, que a cada dia consolam, curam ou acompanham estes doentes no último momento de vida, tornam-se as mãos e as palavras de todos nós, da Igreja, da família que abençoa, saúda, perdoa e consola. É o carinho de Deus que cura e dá vida, também a eterna", continuou.
O Cardeal Parolin disse que estava especialmente preocupado com a forma como o coronavírus afetaria os países em desenvolvimento.
"Infelizmente, estamos diante de uma pandemia e o contágio se propaga como fogo. Por um lado, vemos quantos esforços extraordinários têm realizado os países desenvolvidos, com não poucos sacrifícios em nível da vida cotidiana de famílias e da economia nacional, para enfrentar com eficácia a crise sanitária e debelar a difusão do vírus", comentou.
Por outro lado, confessou “que me preocupa ainda mais a situação nos países menos desenvolvidos", onde "as estruturas de saúde não serão capazes de assegurar os cuidados necessários e adequados para a população".
“Por vocação, a Santa Sé procura ter o mundo inteiro como horizonte, procura não esquecer quem está mais longe, quem mais sofre, quem talvez tenha dificuldade para receber os refletores da mídia internacional. Há realmente necessidade de rezar e de nos empenharmos, todos, para que nunca falte a solidariedade internacional. Apesar da emergência, apesar do medo, é o momento de não nos fecharmos em nós mesmos", lembrou.
O Cardeal confirmou que atualmente há sete casos de coronavírus entre os funcionários do Vaticano. Todos eles passaram pela fase crítica e agora estão melhorando, assegurou.
Afirmou também que o Papa estava procurando novas maneiras de alcançar pessoas que sofrem em todo o mundo.
“O Santo Padre Francisco está buscando todos os modos possíveis para estar próximo das pessoas, no mundo inteiro. Para ele, o contato com pessoas sempre foi fundamental e, mesmo se de modo novo e inédito, pretende mantê-lo", confessou.
“A transmissão ao vivo diária da Santa Missa na Casa Santa Marta é um sinal concreto disso. A oração constante pelas vítimas, seus familiares, os funcionários da saúde, os voluntários, os sacerdotes, os trabalhadores, as famílias é outro sinal concreto. Todos nós colaboradores buscamos ajudá-lo a manter os contatos com as Igrejas de todos os países do mundo”, acrescentou.
Finalmente, o Cardeal Parolin explicou que as autoridades do Vaticano visam garantir que o maior número possível de pessoas possam acompanhar as liturgias do Tríduo Pascal enquanto estejam confinadas em seus lares.
“Estudamos modalidades diferentes daquelas tradicionais. De fato, não será possível acolher os peregrinos como sempre aconteceu. No pleno cumprimento das regras de precaução para evitar o contágio, buscaremos celebrar os grandes ritos do Tríduo Pascal, de forma a acompanhar todos aqueles que infelizmente não poderão ir às igrejas”, concluiu.
Publicado originalmente em ACI Prensa. Traduzido e adaptado por Nathália Queiroz.








