sábado, 29 de junho de 2019

7 chaves para entender por que São Pedro e São Paulo são celebrados juntos

Hoje, 29 de junho, a Igreja celebra a Solenidade de São Pedro e São Paulo, entretanto, há algumas dúvidas sobre as verdadeiras razões do motivo de a festa de ambos os apóstolos ser celebrada no mesmo dia.

A seguir, 7 chaves que permitem entender isso:

1. Santo Agostinho de Hipona expressou que eram “um só”

Em um sermão do ano 395, o Doutor da Igreja, Santo Agostinho de Hipona, expressou que São Pedro e São Paulo, “na realidade, eram como um só. Embora tenham sido martirizados em dias diferentes, deram o mesmo testemunho. Pedro foi à frente; Paulo o seguiu. Cel ebramos o dia festivo consagrado para nós pelo sangue dos apóstolos. Amemos a fé, a vida, os trabalhos, os sofrimentos, os testemunhos e as pregações destes dois apóstolos”.
2. Ambos padeceram em Roma
Foram detidos na prisão Mamertina, também chamada Tullianum, localizada no foro romano na Roma Antiga. Além disso, foram martirizados nessa mesma cidade, possivelmente por ordem do imperador Nero.

São Pedro passou seus últimos anos em Roma liderando a Igreja durante a perseguição e até o seu martírio no ano 64. Foi crucificado de cabeça para baixo, a pedido próprio, por não se considerar digno de morrer como seu Senhor. Foi enterrado na colina do Vaticano e a Basílica de São Pedro está construída sobre seu túmulo.
São Paulo foi preso e levado a Roma, onde foi decapitado no ano 67. Está enterrado em Roma, na Basílica de São Paulo Extramuros.
3. São fundadores da Igreja de Roma
Na homilia de 2012 na Solenidade de São Pedro e São Paulo, o Papa Bento XVI assegurou que “a sua ligação como irmãos na fé adquiriu um significado particular em Roma. De fato, a comunidade cristã desta Cidade viu neles uma espécie de antítese dos mitológicos Rómulo e Remo, o par de irmãos a quem se atribui a fundação de Roma”.
4. São padroeiros de Roma e representantes do Evangelho
Na mesma homilia, o Santo Padre chamou esses dois apóstolos de “padroeiros principais da Igreja de Roma”.
“Desde sempre a tradição cristã tem considerado São Pedro e São Paulo inseparáveis: na verdade, juntos, representam todo o Evangelho de Cristo”, detalhou.
5. São a versão contrária de Caim e Abel
O Santo Padre também apresentou um paralelismo oposto com a irmandade apresentada no Antigo Testamento entre Caim e Abel.
“Enquanto nestes vemos o efeito do pecado pelo qual Caim mata Abel, Pedro e Paulo, apesar de ser humanamente bastante diferentes e não obstante os conflitos que não faltaram no seu mútuo relacionamento, realizaram um modo novo e autenticamente evangélico de ser irmãos, tornado possível precisamente pela graça do Evangelho de Cristo que neles operava”, relatou o Santo Padre Bento XVI.
6. Porque Pedro é a “rocha”
Esta celebração recorda que São Pedro foi escolhido por Cristo – “tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” – e humildemente aceitou a missão de ser “a rocha” da Igreja e apascentar o rebanho de Deus, apesar de suas fragilidades humanas.
Os Atos dos Apóstolos ilustram seu papel como líder da Igreja depois da Ressurreição e Ascenção de Cristo. Pedro dirigiu os apóstolos como o primeiro Papa e assegurou que os discípulos mantivessem a verdadeira fé.
Como explicou em sua homilia o Sumo Pontífice Bento XVI, “na passagem do Evangelho de São Mateus (...), Pedro faz a sua confissão de fé em Jesus, reconhecendo-O como Messias e Filho de Deus; fá-lo também em nome dos outros apóstolos. Em resposta, o Senhor revela-lhe a missão que pretende confiar-lhe, ou seja, a de ser a ‘pedra’, a ‘rocha’, o fundamento visível sobre o qual está construído todo o edifício espiritual da Igreja”.
7. São Paulo também é coluna do edifício espiritual da Igreja
São Paulo foi o apóstolo dos gentios. Antes de sua conversão, era chamado Saulo, mas depois de seu encontro com Cristo e conversão, continuou seguindo para Damasco, onde foi batizado e recuperou a visão. Adotou o nome de Paulo e passou o resto de sua vida pregando o Evangelho sem descanso às nações do mundo mediterrâneo.
“A iconografia tradicional apresenta São Paulo com a espada, e sabemos que esta representa o instrumento do seu martírio. Mas, repassando os escritos do Apóstolo dos Gentios, descobrimos que a imagem da espada se refere a toda a sua missão de evangelizador. Por exemplo, quando já sentia aproximar-se a morte, escreve a Timóteo: ‘Combati o bom combate’ (2Tm 4,7); aqui não se trata seguramente do combate de um comandante, mas daquele de um arauto da Palavra de Deus, fiel a Cristo e à sua Igreja, por quem se consumou totalmente. Por isso mesmo, o Senhor lhe deu a coroa de glória e colocou-o, juntamente com Pedro, como coluna no edifício espiritual da Igreja”, expressou Bento XVI em sua homilia.
Fonte: Acidital

SOLENIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS 2019 NA CATEDRAL DE CAMPINA GRANDE


28 de Junho de 2019… sexta-feira, às 17h30 na Catedral Diocesana de Campina Grande, centro da cidade, aconteceu a Santa Missa presidida pelo Pe. Luciano Guedes onde a comunidade celebrou a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus.

“Esta Solenidade do Sagrado Coração de Jesus nos mostra justamente os lados humano e divino de Jesus. Não quis nada para si, nem a última gosta de sangue. O seu coração foi aberto para abrigar a todos. Por isso, hoje pedimos ao Senhor que faça o nosso coração semelhante ao dele, sempre manso, humilde e aberto para acolher os irmãos.”( PASCOM – Paroquiasap)

Pe. Luciano abençoou e entregou a fita aos novos membros .” A fita é um símbolo que significa a pertença ao Apostolado da Oração. O dever dos membros do Apostolado é oração, trabalho com caridade, humildade e a mansidão.” (PASCOM – Paroquiasap)

Fotos: Pascom CatedralCG












terça-feira, 25 de junho de 2019

Solenidade de São João Batista na Catedral de Campina Grande

Na tarde de ontem(24/6) aconteceu a missa de São João na Catedral de Campina Grande, situada no centro da cidade, presidida por Pe. Francisco (Vigario Paroquial da Catedral). A Pascom Catedral marcou presença na cobertura do evento.
Fotos: Pascom CatedralCG













Presidente da CNBB se reúne com Instituto Brasileiro de Comunicação Cristã

O arcebispo metropolitano de Belo Horizonte (MG) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo e o bispo auxiliar do Rio de Janeiro e secretário-geral da CNBB, dom Joel Portela receberam na tarde desta segunda-feira, 24 de junho, representantes da direção do Instituto Brasileiro de Comunicação Cristã (Inbrac), o órgão responsável pela gestão da RedeVida de televisão.

O presidente da CNBB definiu o encontro com a direção da Rede Vida como um momento de alegria, amizade e esperança. “Nós damos grande importância às ações de qualificação, cooperação e fortalecimento da comunicação católica, fundamental para a sociedade brasileira. Nossa Igreja é depositária de uma grande tarefa missionária que é o anúncio do Evangelho de Jesus Cristo. Por isto, este encontro tem grande importância para nós porque abre caminhos”, disse.
Dom Walmor reforçou que a nova presidência tem entre seus compromissos dar novas respostas, encontrar forças e modos de prestar este serviço à Igreja no Brasil. Segundo ele, entre as grandes tarefas da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da CNBB está a de articular as tvs católicas para que “juntos – CNBB e tvs – possam cumprir a missão de anúncio do Evangelho pela força da comunicação”.
A irmã paulina Celeste Ghislandi, diretora executiva do Inbrac, reforçou que a RedeVida tem por missão evangelizar por meio da comunicação. “A acolhida de dom Walmor e dom Joel com carinho, abertura e muito senso eclesial é uma certeza para nós que estamos a serviço da evangelização, seguindo as orientações e diretrizes da Igreja no Brasil na sua ação evangelizadora”, disse.
Quem também saiu com esperanças da reunião foi o secretário-geral da CNBB, dom Joel Portela. Ele reforçou que é preciso responder de modo novo a desafios novos. “O mundo está se transformando. E não dá prá se fazer presente no mundo se não for pelos instrumentos de comunicação dos quais as televisões e a RedeVida o são”, disse.
O arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani Tempesta, membro do conselho diretor do Ibrac, comunicou que em nome da RedeVida o grupo cumprimentou a nova presidência da CNBB pela eleição e propôs que se tracem estratégias de comunicação junto com as emissoras para ver como pode comunicar mais e melhor para a Igreja. “A RedeVida tem uma presença no Brasil todo e traz o país todo para ser conhecido, trabalho reconhecido pela nova presidência da CNBB”, disse.
O arcebispo de Uberaba (MG), dom Paulo Mendes Peixoto, também membro do Conselho diretor do Inbrac, ressaltou que vê uma grande oportunidade nesta parceria. “O Ibrac tem discutido a necessidade de fortalecer esta ligação com a CNBB já que esta representa grande força da Igreja no Brasil. Nós temos agora as novas Diretrizes da CNBB. É hora de somar forças para que a orientação da CNBB chegue as comunidades”, reforçou.
Também participaram da reunião o jornalista João Monteiro de Barros Filho, o criador da TV RedeVida, seu filho Monteiro Neto e Antônia Mucciolo, membro do Conselho Diretor do Inbrac.
 Sobre a Rede Vida  – Com cobertura em canal aberto VHF e UHF, a RedeVida está presente em todas as capitais brasileiras e as 500 maiores cidades do Brasil, alcançando mais de 1.500 municípios. A RedeVida já está presente em mais de 300 destas localidades com canal digital. Possui distribuição de TV por assinatura do país e está disponível também através das antenas parabólicas, em sinal digital e analógico.
São 24 horas diárias de programação produzida em HD, tanto na sede e geradora em São José do Rio Preto no interior de São Paulo, como nos estúdios auxiliares na capital de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília, além de produções independentes e matérias jornalísticas enviadas de diversas outras localidades do país e do mundo.

 
 

sábado, 22 de junho de 2019

Hoje é festa de São Tomás More, padroeiro dos governantes e políticos

“O homem não pode ser separado de Deus, nem a política da moral”, disse São Tomás More, declarado padroeiro dos governantes e dos políticos por São João Paulo II e cuja memória litúrgica é recordada neste 22 de junho.

Morreu mártir quando se negou a reconhecer o divórcio de Henrique VIII e o projeto de uma igreja liderada pelo rei da Inglaterra e não pelo Papa.

São Tomás nasceu em Londres, em 1477, e manteve sempre uma vida de fé. Graduou-se na Universidade de Oxford como advogado e sua carreira bem-sucedida o levou ao parlamento. Casou-se com Jane Colt, teve um filho e três filhas. Após a morte de sua esposa, casou-se com Alice Middleton.
Em 1516, São Tomás escreveu o seu livro mais famoso, conhecido como “Utopia”. Esta obra chamou muito a atenção de Henrique VIII e o colocou em um cargo importante.
Quando o rei Henrique VIII continuava com a intenção de repudiar sua esposa para se casar com outra e planejava se separar da Igreja de Roma para formar a igreja anglicana sob sua autoridade, São Tomás More renunciou.
Em seguida, Tomás se dedicou a escrever em defesa da Igreja e com seu amigo, o Bispo São João Fisher, recusou-se a obedecer ao rei como “cabeça” da igreja. Ambos, fiéis a Cristo, foram presos. Alguns meses após a prisão, executaram São João Fisher e posteriormente São Tomás, condenados como traidores do reino.

Antes de ser executado, o santo disse à multidão: “Morrerei como bom servidor do rei, mas sobretudo como servo de Deus”. Foi decapitado no dia 6 de julho de 1535. O dia de São Tomás More é comemorado a cada 22 de junho, junto com São João Fisher.

“A vida de São Tomás More ilustra, com clareza, uma verdade fundamental da ética política. De fato, a defesa da liberdade da Igreja face a indevidas ingerências do Estado é simultaneamente uma defesa, em nome do primado da consciência, da liberdade da pessoa frente ao poder político. Está aqui o princípio basilar de qualquer ordem civil respeitadora da natureza do homem”, disse São João Paulo II no ano 2000.
Fonte: Acidigital

sexta-feira, 21 de junho de 2019

SOLENIDADE DE CORPUS CHRISTI NA CATEDRAL DE CAMPINA GRANDE

"A instituição da Eucaristia já celebrada na Quinta-feira Santa é hoje celebrada com honra e alegria, que não poderia se manifestar naquele dia, pois estávamos na Semana Santa, às vésperas da Comemoração da Morte-ressurreição do Senhor. Esta festa, na quinta-feira depois da solenidade da Santíssima Trindade, começou a ser celebrada em 1214. A procissão, depois da celebração, percorrendo as diversas ruas de nossa Comunidade, foi introduzida aos poucos. Tem-se notícia dela, em Roma, desde 1350. A Eucaristia é o centro e o fundamento de nossa vida cristã. “Ele está no meio de nós!”, dizemos tantas vezes em nossas celebrações! Ele se faz comida e bebida para sermos também comida e bebida para todos.


A comunhão com o corpo e o sangue de Cristo na Eucaristia é também comunhão com a Comunidade. Celebrar só não basta! É preciso traduzir nossas celebrações em ações transformadoras! Fé e Vida! Se faltar uma dessas dimensões em nossa Comunidade, nossas celebrações estarão incompletas!

4. Evangelho: Jo 6,51-58 - Pão que sustenta

O texto nos ensina a viver a Eucaristia como recepção de Jesus, que dá a vida verdadeira, por sua presença entre nós (carne) e pela sua morte-ressureição (sangue). A Eucaristia é o sacramento que nos une a este projeto de vida e de morte-ressurreição, nos comprometendo a dar também nossa vida para os outros (...)" 









Trecho do texto Corpus Christi

Acréscimo meu 

Na Catedral, repleta de fiéis,  a programação da Solenidade de Corpus Christi foi realizada durante todo o dia: Missa Solene às 10h presidida pelo pároco da Catedral, Pe. Luciano Guedes; Adoração ao Santíssimo de 11h30 às 14h30, Missa Solene às 15h, presidida por Dom Dulcênio (Bispo de Campina Grande) e concelebrada pelo pleno da Diocese local seguida da procissão pelas principais ruas do centro da cidade e finalizando com a benção do Santíssimo na Catedral.

A Pastoral da Comunicação (PASCOM da Catedral) transmitiu ao vivo as missas pela manhã e à tarde. Também fez a cobertura fotográfica e através de videos das missas e procissão.

Texto: Professora Aurea Ramos Araujo (Coord. da Pascom)
Fotos: Pascom Catedral 


quarta-feira, 19 de junho de 2019

Solenidade de Corpus Christi

Corpus Christi é um feriado nacional no qual a igreja católica festeja o corpo de Cristo representado na Eucaristia. A data pode ser calculada como sendo a primeira quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade ou então 60 dias após o domingo de páscoa1. A celebração é composta de uma missa, de procissões e adoração do Santíssimo Sacramento.
A comemoração do Corpus Christi acontece sempre em uma quinta-feira, em referência à Quinta-Feira Santa, quando aconteceu a última ceia de Jesus com seus apóstolos. Nesta passagem, Cristo entrega simbolicamente sua vida a Deus e à humanidade. Jesus manda celebrar sua existência comendo o pão e bebendo o vinho (a eucaristia), que se transformariam sem seu Corpo e Sangue2.
O apóstolo João (Jo 6, 55-59) descreve a cena da seguinte forma:
“O que come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia”. O que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.”
A celebração da Eucaristia é, assim, a forma de reconhecer que Jesus continua vivo em meio à comunidade cristã.

Origem

Mesmo sendo celebrado em cada missa, a igreja católica criou uma data para que o Corpo de Cristo pudesse ser especialmente lembrado. A justificativa remonta ao século XIII, em Liège, na Bélgica. No ano de 1243, uma freira chamada Juliana teria tido visões nas quais Cristo revelava seu desejo de ver a Eucaristia ser festejada e reconhecida separadamente. Alguns anos mais tarde, em 1264, o papa Urbano IV consagrou a festa para toda a Igreja2.
Nesta data, os fieis reproduzem a tradição de fazer procissões pelas ruas, caminhando sobre um colorido tapete confeccionado a partir de materiais diversos: flores, serragem, farinha, folhas, areia. Esse costume chegou ao Brasil com os colonizadores portugueses. A procissão lembra a caminhada do povo de Deus rumo à Terra Prometida1. Já a Hóstia levada num ostensório foi instituída em 12742.

20/06 – Dia Mundial do Refugiado: “acolher, proteger, promover, integrar e celebrar”

Dia 20 de junho celebra-se, em todo mundo, o Dia Mundial do Refugiado, de acordo com uma resolução aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Para a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a data é uma oportunidade para homenagear a coragem, a resiliência e a força de todas as mulheres, homens e crianças forçadas a deixar suas casas por causa de guerras, conflitos armados e perseguições.
Por ocasião da data, o bispo de Brejo (MA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sócio Transformadora, dom José Valdeci Santos Mendes, escreveu artigo sobre o processo migratório no Brasil e o papel da Igreja. No Brasil, existem aproximadamente 1.2 milhão de migrantes; os refugiados, em dado cumulativo, são mais de 10 mil; e há mais de 30 mil solicitantes de refúgio. Veja a íntegra do texto de dom Valdeci.

 A Igreja no Brasil e a Migração
“Eu era forasteiro, e me recebeste em casa”, Mt 25,34
De 16 a 23 de junho/2019, celebramos em todo o Brasil a 34ª Semana do Migrante. A Semana do Migrante deste ano tem como tema Migração e políticas públicas, procurando dar continuidade, no vasto campo da mobilidade humana, à reflexão e ação da Campanha da Fraternidade/2019.O lema – Acolher, proteger, promover, integrar e celebrar. A luta é todo dia – reúne os já famosos quatro verbos do Papa Francisco, associados à necessidade de celebrar os avanços obtidos, bem como de empenhar-se por novas formas de luta.
Desnecessário ressaltar a importância da temática para os nossos tempos. Como vem denunciando com insistência o Papa Francisco desde sua eleição, em março de 2013, os deslocamentos humanos de massa fazem parte de um cenário internacional onde predominam, de um lado, leis cada vez mais restritivas ao direito de ir e vir e, de outro, a globalização da indiferença. Daí a palavra de ordem do pontífice: na contramão da “economia que mata” e que gera milhões de “trabalhadores descartáveis”, promover uma globalização da acolhida, do encontro, do diálogo e da solidariedade.
Ao longo da história do Brasil, vários movimentos migratórios foram importantes e eles continuam ocorrendo constantemente, seja em âmbito internacional ou interno. Importante destacar que os movimentos migratórios dinamizam as sociedades, pois com a saída ou a chegada de pessoas, há uma mudança na configuração social. Porém, junto com os movimentos migratórios relacionam-se preconceitos étnicos, religiosos e culturais.
A existência da migração no Brasil é antiga, mas as razões disso mudam com o passar dos anos. No século XVIII, por exemplo, a América Latina como um todo recebeu intensos fluxos migratórios, principalmente de europeus colonizadores e africanos escravizados. Já no século XIX, Argentina, Brasil, Uruguai e Chile atraíram um novo fluxo migratório originado a partir das crises político-sociais que assolavam a Europa. Durante o século XX, uma nova leva de imigrantes chegou à América Latina após a Segunda Guerra Mundial.
Mais atualmente, a globalização teve um forte peso na decisão das pessoas de escolherem um país de destino. Graças a ela, o “horizonte” dos indivíduos foi ampliado. Antes, a maioria dos migrantes objetivava mudar-se para uma cidade maior em seu próprio país ou para algum Estado vizinho. A partir da globalização, a distância entre as nações foi “diminuída”.
Porém, deixar tudo para trás e iniciar uma vida nova e uma nação distinta, com cultura e leis diferentes, representa um desafio para qualquer pessoa. Por outro lado, o choque de cultura maximiza o estigma carregado pelos migrantes, muitas vezes vistos como “invasores “ ou “forasteiros”. Não são poucos os refugiados e migrantes que encontram resistência por parte das comunidades locais, sendo vítimas de discriminação e xenofobia. A marginalização dessas pessoas dificulta a integração na sociedade, potencializando tensões sociais e políticas nos países de acolhida. Elas carregam consigo marcas da guerra e da violência, chegando, com muita frequência, sozinhos e desacompanhados.
No mundo, são mais de 260 milhões de migrantes; ali estão 65,5 milhões de pessoas deslocadas forçosamente; são aproximadamente 22,5 milhões de refugiados e refugiadas; 2,5 milhões de solicitantes de refúgio; e 40,3 milhões de pessoas deslocadas forçosamente no interior dos próprios países. No Brasil, aproximadamente 1.2 milhão de migrantes; os refugiados, em dado cumulativo, são mais de 10 mil; e há mais de 30 mil solicitantes de refúgio.
Estes dados, seguramente nos impressionam. Mas isto não é suficiente. Somos chamados a pôr em prática os quatro verbos, as quatro ações – acolher, proteger, promover, integrar. Há quem possa e deva incidir em decisões e ações de abrangência mundial, outros em âmbito regional, nacional, local… Em um mundo em que, a cada dia, aproximadamente 34 mil pessoas são forçadas a deslocar em razão de conflitos ou perseguição, não há solução viável sem uma abordagem humana que se lastreie na cooperação internacional.
Assim, a Igreja no Brasil também é chamada a colaborar, no sentido de ajudar a população migrante e os refugiados, de modo especial os irmãos e irmãs venezuelanos. Como o Papa Francisco sempre nos recorda, eles não são números, mas pessoas: homens, mulheres e crianças que têm um rosto, que muito sofrem e que são descartados. Um rosto humano no qual vemos o rosto de Cristo, que queremos servir especialmente naqueles que são os menores e com mais necessidades.
É no apoio às famílias migrantes que, muitas vezes, migram em busca de segurança e de uma vida digna, especialmente para as crianças, na ajuda à integração a fim de evitar situações de descarte e no trabalho de sensibilização das comunidades de destino para evitar atitudes de rejeição provocadas pelo medo ou pela ignorância que a Igreja pode e deve agir com eficiência. Ou, de acordo com a orientação do Papa Francisco, as respostas efetivas da Igreja devem estar pautadas nas articulações em torno de quatro verbos que encontram seus fundamentos na Doutrina Social da Igreja: acolher, proteger, promover e integrar.
Embora muitas nações devam seu desenvolvimento aos migrantes e apesar de suas experiências terríveis serem divulgadas, a migração é vista somente como emergência ou perigo, mesmo sendo um elemento comum em nossas sociedades. Um compromisso urgente e necessário é trabalhar por uma mudança de atitude, abandonando a cultura dominante do descarte e da rejeição. A Igreja deve colaborar para dissipar muitos preconceitos e medos infundados em relação à acolhida dos estrangeiros e a difundir uma percepção equilibrada e positiva da migração. A migração é uma dimensão normal de nossa sociedade, que se tornou interdependente por causa das conexões rápidas, das comunicações e a necessidade de relações em nível mundial. São dimensões nas quais realmente podemos ver os ‘sinais dos tempos’ que impulsionam a solidariedade globalmente.
Sempre há espaço onde todos e onde cada um/a pode atuar… Na dimensão pessoal, comunitária, institucional, no contexto da empresa onde trabalhamos, no mercado e na rua por onde transitamos, no clube, na praça ou no parque que frequentamos… é infinita oportunidade que temos de combater a xenofobia, de evitar a rejeição e a discriminação, de abrir espaço ao outro, de acolher de alma e coração sinceros, da fazer um gesto concreto de partilha, de elevar uma oração que difunda o espírito de fraternidade universal de família humana. Estaremos, pois, inspirados por sentimentos de compaixão, e com verdadeira paixão, fazendo avançar a construção da paz que todos e todas nós desejamos para o mundo e para cada ser humano, seja migrante, seja refugiado, seja apátrida, seja brasileiro ou brasileira. Acima da nacionalidade, está a cidadania da dignidade inalienável de todos os membros da família humana.
Por fim, recordo o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado a ser celebrado no dia 29 de setembro de 2019. O tema desta 105ª edição será “Não se trata apenas de migrantes”. Com este tema, o Papa Francisco quer sublinhar que os seus repetidos apelos em favor dos migrantes, refugiados, deslocados e vítimas do tráfico de seres humanos devem ser entendidos no contexto da sua profunda preocupação por todos os habitantes das periferias existenciais. “A presença dos migrantes e refugiados – como a das pessoas vulneráveis em geral – constitui, hoje, um convite a recuperar algumas dimensões essenciais da nossa existência cristã e da nossa humanidade, que correm o risco de entorpecimento num teor de vida rico de comodidades. Aqui está a razão por que «não se trata apenas de migrantes», ou seja, quando nos interessamos por eles, interessamo-nos também por nós, por todos; cuidando deles, todos crescemos; escutando-os, damos voz também àquela parte de nós mesmos que talvez mantenhamos escondida por não ser bem vista hoje” (Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado – 29 de setembro de 2019).
Dom José Valdeci Santos Mendes Bispo de Brejo (MA)
Presidente da Comissão Episcopal de Pastoral para Ação Sócio Transformadora
Fonte:CNBB